Trio suspeito de obstruir investigação sobre Rioprevidência é preso em operação da PF, envolvendo gêmeos amigos de ex-presidente da autarquia e desvio de R$ 1 bilhão.

Os irmãos gêmeos Rafael e Rodrigo Schmitz estão no centro de um escândalo que envolve a investigação da Polícia Federal sobre os investimentos do Rioprevidência no Banco Master. Os dois, que são amigos de longa data do ex-presidente da autarquia, Deivis Marcon Antunes, foram encontrados em um escritório de advocacia ligado à família e são acusados de terem retirado documentos e provas de um apartamento alugado por Deivis em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, antes que a operação da Polícia Federal ocorresse.

A investigação, que já leva o nome de Operação Barco de Papel, teve início após a revelação de um investimento de quase R$ 1 bilhão do fundo de aposentadoria dos servidores estaduais do Rio no Banco Master, que recentemente foi liquidado pelo Banco Central. Deivis Antunes, que havia deixado a presidência da autarquia há poucos dias, foi preso quando tentava retornar ao Rio de Janeiro em um carro alugado após desembarcar de um voo vindo dos Estados Unidos. Ele é acusado de obstruir a investigação, manipular provas digitais e esconder bens.

A operação da Polícia Federal se desdobrou em prisões e mandados de busca, resultando em ações simultâneas no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. Durante os procedimentos, os agentes identificaram que houve a retirada de documentos do apartamento de Deivis e ações de manipulação de provas digitais. Além disso, foram descobertas transferências de veículos de luxo para outros indivíduos, o que levanta novas suspeitas sobre a conduta do ex-presidente do Rioprevidência.

Desde sua inauguração, a investigação tem como foco o possível desvio de recursos, gestão fraudulenta e corrupção. As aplicações no Banco Master resultaram em um cenário preocupante, com estimativas de que os investimentos realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024 poderiam expor o patrimônio do fundo previdenciário estadual a riscos elevados, sem a segurança que seria oferecida pelo Fundo Garantidor de Crédito.

Os alertas do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro já denunciavam as irregularidades nos investimentos feitos pelo Rioprevidência, e a situação se complica com a descoberta de que a cúpula da autarquia foi alterada coincidentemente antes do início desses investimentos. Com um valor que ultrapassa R$ 2,6 bilhões em aplicações consideradas de alto risco e atualmente em litígio judicial, a situação é crítica para o fundo destinado às aposentadorias dos servidores públicos.

A resposta do governo do estado e a defesa de Deivis têm sido limitadas. Enquanto a Controladoria Geral do Estado segue investigando os investimentos do Rioprevidência, os desdobramentos desse caso continuam a levantar questões sobre a transparência e a responsabilidade na gestão de fundos públicos no Rio de Janeiro. As prisões e novas revelações sobre essa trama complexa revelam um panorama desafiador para autoridades e cidadãos.

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