O caso tornou evidente uma rede de migração clandestina do Vietnã para a Europa, envolvendo pessoas de diferentes nacionalidades, como vietnamita, francesa, chinesa, argelina e marroquina. Quatro vietnamitas, identificados como “Tony”, “Hoang”, “Long” e “Thang”, foram condenados por homicídio involuntário a penas que variam de 9 a 10 anos de prisão.
A presidente do tribunal de Paris, Carole Bochter, afirmou aos réus que estavam envolvidos na linha de frente da organização de travessias de pessoas em situação de precariedade que buscavam uma vida melhor. Outros quatro vietnamitas foram condenados a penas de um a dez anos de prisão, por serem responsáveis pela organização do transporte e acomodação dos migrantes. Os demais acusados foram absolvidos das acusações de “associação criminosa”, mas condenados por ajudar na estadia irregular no território francês.
Além disso, sete taxistas receberam sentenças que variam de 6 meses de prisão em suspenso a 3 anos de reclusão, juntamente com multas de 2.000 a 3.000 euros. Outro taxista foi absolvido de todas as acusações. Três proprietários de apartamentos também foram condenados a penas de 6 a 12 meses de prisão em suspenso, com multas de 5.000 a 10.000 euros.
O incidente ocorreu em 22 de outubro de 2019, quando as vítimas entraram em um contêiner no norte da França para cruzar o Canal da Mancha a partir do porto belga de Zeebrugge. Já na Inglaterra, outro motorista assumiu o grupo. Nos arredores de Londres, no leste da cidade, foram encontrados os corpos de 31 homens e oito mulheres vietnamitas, com idades entre 15 e 44 anos.
Uma das vítimas, Pham Thi Tra My, de 26 anos, enviou uma mensagem angustiante aos seus familiares: “Mamãe, papai, eu amo vocês. Estou morrendo, não consigo respirar”. Por esses acontecimentos, sete homens foram condenados no Reino Unido a penas de 3 a 27 anos de reclusão em janeiro de 2021.
As ramificações do caso não se limitaram apenas à França e ao Reino Unido, uma vez que processos judiciais também foram realizados no Vietnã, onde quatro homens foram condenados a penas que variam entre dois anos e meio e sete anos e meio de prisão em setembro de 2020. Além disso, a Bélgica impôs penas de até 15 anos de reclusão a 18 pessoas em janeiro de 2022.
Certamente, o desfecho desse trágico incidente servirá como um alerta para a necessidade de combate à migração clandestina e à atuação de redes criminosas que exploram a vulnerabilidade de indivíduos em busca de uma vida melhor.
