Tren de Aragua: A Facção Venezolana que Transcendeu Fronteiras
Fundada em 2012 dentro da penitenciária de Tocorón, na Venezuela, a facção criminosa conhecida como Tren de Aragua rapidamente se tornou uma das mais influentes da América Latina. Com o passar dos anos, o grupo não apenas se expandiu pelo território venezuelano, formando alianças estratégicas com gangues menores, mas também ultrapassou as fronteiras do país, estabelecendo uma rede criminosa que se estende por diversas nações.
A transformação da Tren de Aragua em uma organização transnacional ocorreu entre 2018 e 2023, período em que o grupo consolidou operações em países como Colômbia, Peru e Chile. Sua presença tem sido relatada de maneira esporádica em regiões como Equador, Bolívia e Brasil. Atualmente, há evidências que indicam atividades no Panamá e México, além de um crescimento discreto nas comunidades da Espanha e dos Estados Unidos.
No Brasil, a Tren de Aragua estabeleceu uma parceria com o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das facções mais notórias do país. A relação entre essas organizações tem gerado preocupação entre as autoridades, levando o ministro da Justiça e Segurança Pública a destacar a necessidade de uma ação coordenada entre as diferentes forças de segurança.
As operações da Tren de Aragua vão além do tráfico de drogas e armas. O grupo se envolveu em extorsões, sequestros, tráfico de pessoas, contrabando de migrantes, mineração ilegal, crimes cibernéticos e roubo. Seus métodos são caracterizados por um rígido controle territorial e punições severas para quem desafia suas regras, incluindo assassinatos e esquartejamentos.
Hector Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, é o líder máximo da facção e tem um histórico criminal impressionante, incluindo uma condenação a 17 anos de prisão. Ele escapou de um presídio em 2018, utilizando túneis subterrâneos. Ao lado dele, figuras como Yohan José Romero, famoso como “Johan Petrica”, também desempenham papéis fundamentais, acusados de conduzir atividades de mineração ilegal e fornecer acessos a armamentos pesados.
Recentemente, o Departamento do Tesouro dos EUA adotou sanções contra Guerrero e outros associados, classificando o Tren de Aragua como uma Organização Terrorista Estrangeira. Essa designação reflete a preocupação internacional com as operações do grupo e seu impacto nas comunidades.
A crescente influência da Tren de Aragua não apenas ilustra a capacidade de facções criminosas de se expandirem além de suas origens, mas também a urgência de uma resposta global coordenada para enfrentar as crescentes ameaças à segurança pública. O desafio está lançando luz sobre a complexidade e a gravidade do crime organizado na América Latina contemporânea.
