O evento sísmico foi monitorado pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), que classificou o tremor como um “sismo raso”, com profundidade entre 0 e 10 milhas. Embora o registro de tremores na costa sudeste do Brasil seja relativamente comum, os especialistas ressaltam que a intensidade do sismo em Maricá está bem aquém dos grandes terremotos, que podem ser devastadores. Para ilustrar essa diferença, os tremores que atingiram a Venezuela em junho, com magnitudes de 7,2 e 7,5, resultaram em uma tragédia humanitária, com milhares de mortos.
De acordo com o sismólogo Gilberto Leite, do Observatório Nacional, eventos dessa magnitude são esperados na costa sudeste do Brasil devido às tensões tectônicas que atuam na crosta terrestre. Na maioria das vezes, esses abalos são de baixa intensidade e passam despercebidos pela população. Leite explica que a margem sudeste do país é reconhecida como a principal zona sísmica offshore do Brasil, favorecendo a ocorrência de pequenos tremores.
O tremor em Maricá surge após uma série de nove pequenos sismos detectados entre 26 e 30 de junho no litoral fluminense, próximo a Saquarema. O mais forte dessa sequência teve magnitude de 2,5, evidenciando que o tremor recente foi mais intenso. Além disso, um sismo de magnitude 3,3 também foi registrado em maio na mesma região, sem que os moradores relataram ter sentido o impacto.
A Rede Sismográfica Brasileira, encarregada de monitorar a atividade sísmica nacional, é composta por uma colaboração entre instituições como a USP, a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e o Observatório Nacional, que opera sob a alçada do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.





