A votação do projeto, segundo a ONG, ocorreu em um plenário consideravelmente esvaziado, sem a realização de um debate adequado com a sociedade. Essa falta de discussão pública levanta preocupações sobre a transparência e a legitimidade do processo legislativo.
Um ponto controverso do projeto é a sua disposição de suspender processos judiciais e administrativos durante a análise de fusões partidárias. De acordo com a Transparência Internacional, essa medida dificulta a imposição de sanções a partidos que tenham sido punidos anteriormente, permitindo que as agremiações evadeçam responsabilizações por meio da unificação. Isso pode potencialmente transformar as fusões em uma estratégia para organizações políticas que buscam se livrar de penalidades.
Além disso, o projeto também abre a possibilidade de criação de instituições de ensino superior por partidos políticos, com a permissão para a cobrança de mensalidades. Essa iniciativa, conforme mencionado pela ONG, pode resultar em uma série de abusos, já que desobriga os dirigentes partidários de comprovar a realização de tarefas efetivas. Isso levanta a preocupação sobre a potencial criação de estruturas que favoreçam a introdução de funcionários fantasmas, pagos com dinheiro público.
Outro aspecto alarmante mencionado pela Transparência Internacional é a possibilidade de anistia para partidos que não cumpriram as cotas de raça e gênero. O projeto permite o parcelamento de dívidas e multas, além de autorizar o uso de fundos eleitorais para quitar esses valores. Segundo a organização, essa ação “premia” práticas que perpetuam a exclusão de mulheres e pessoas negras no espaço político, representando uma afronta à busca por inclusão e diversidade na democracia.
Essas inquietações lançam uma sombra sobre o futuro do sistema político brasileiro, apontando para a necessidade urgente de discutir e revisar esses mecanismos em busca de uma política mais transparente e responsiva aos anseios da sociedade civil.
