Tramitação da PEC que extingue escala 6×1 fica para julho e promete complicar expectativas do governo antes do recesso parlamentar.

O senador Otto Alencar, atuando como presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, declarou que a definição sobre a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala 6×1 será deixada para a primeira quinzena de julho. Essa declaração, embora clara, indica um possível adiamento das expectativas do governo, que gostaria de ver essa proposta — uma das principais bandeiras da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — aprovada e promulgada pelas duas casas legislativas antes do início do recesso parlamentar, previsto para 17 de julho.

Atualmente, a proposta já contava com a aprovação da Câmara dos Deputados desde 27 de maio, mas seu trâmite parlamentar estagnou, pois ainda não foi remetida à CCJ pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Em conversa com jornalistas, Alencar enfatizou que não recebeu qualquer confirmação sobre quando a proposta seria despachada para a comissão, o que evidencia uma paralisia no processo: “Está tudo parado”, afirmou.

O senador também levou em consideração o esvaziamento esperado no Senado, em função das festividades juninas e da Copa do Mundo que se aproxima. Para contornar essa situação, Alcolumbre programou sessões de votação semipresenciais nesta semana, um formato que permite aos senadores votarem mesmo fora de Brasília. Essa decisão, segundo Alencar, atende às demandas dos parlamentares que buscam articular ações em seus estados em meio às pré-campanhas eleitorais.

Informações de bastidores indicam que Alcolumbre ainda aguarda uma conversa com Lula antes de liberar a votação da PEC, ressaltando a tensão entre os dois desde a retirada da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Alencar demonstrou esperança de que, dependendo das conversas entre os líderes, seja possível aprovar a PEC antes do recesso, embora Alcolumbre já tenha sinalizado a intenção de não levar a proposta diretamente ao plenário sem que passe por ao menos uma comissão.

A ausência de definição quanto à relatoria da proposta também gera incertezas. Nomes como o do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e do líder do PSD na Casa, Omar Aziz, estão entre os cotados, mas ainda não houve nenhuma confirmação oficial. O momento político se apresenta desafiador, e a tramitação da PEC pode revelar a real força do governo e suas bandeiras em um cenário marcado por tensões e prazos apertados.

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