Na madrugada do último sábado, a Vila Urussaí, um sub-bairro de Saracuruna, em Duque de Caxias, foi palco de uma tragédia que chocou a comunidade local. O desabamento de uma laje de uma casa abandonada resultou na morte de Jeremias dos Santos Silva, de 25 anos, e sua enteada de apenas 11 anos, Maria Vitória. Por volta das 2h40, enquanto todos dormiam, a estrutura cedera, soterrando os moradores.
A casa, localizada na Rua Urussaí, era ocupada pela família há cerca de cinco meses, após deixarem uma residência ainda mais precária na mesma área. O pastor Anderson Rosa, da Assembleia de Deus Getsêmani, acompanha a família há anos e sempre os alertou sobre os riscos da habitação. Segundo ele, diversas moradias na região se encontram em situação similar, com ocupações irregulares e estruturas comprometidas. Apesar dos alertas à Prefeitura sobre a precariedade das casas, as respostas têm sido insuficientes.
Jeremias e Luana, a mãe da criança e sobrevivente do desabamento, ganhavam a vida a partir da reciclagem, muitas vezes acompanhados pela filha e pelo cachorro da família. “Eles eram vistos como trabalhadores incansáveis, mesmo em dias de chuva”, conta o pastor. Este aspecto retrata a vida de luta e perseverança que a família levava em meio a uma rotina marcada pela precariedade.
Além do luto pela perda, a situação se complica com o estado grave de Luana, que foi resgatada com múltiplas escoriações, fraturas no tornozelo e na cervical. Atualmente, ela está em estado crítico, internada em um CTI.
Após a tragédia, a comunidade se mobiliza para oferecer auxílio e assistência à família afetada. Enquanto as autoridades ainda não compareceram ao local, líderes comunitários discutem a necessidade de apoio social para evitar que outras famílias enfrentem o mesmo destino trágico. Enquanto isso, pelo menos doze casas na Vila Urussaí permanecem em estado de risco iminente, e a pressão por ação governamental se torna cada vez mais urgente. A expectativa é que esse trágico evento não se repita em outras moradias da região.
