Tragédia na C4 Gym: Sócio apresenta curso básico após morte de aluna e internações em série na piscina da academia em São Paulo.

C4 Gym: Envolvimento em Tragédia Levanta Questões sobre Segurança em Piscinas

A tragédia envolvendo a piscina da academia C4 Gym, localizada em São Paulo, ganha contornos cada vez mais preocupantes após a morte de uma mulher e a internação de outras seis pessoas. O sócio da academia, Celso Bertolo Cruz, apresentou um certificado de um curso de tratamento de água de piscinas com carga horária de apenas quatro horas, realizado em agosto de 2023. Este curso se torna um ponto central nas investigações, uma vez que a piscina foi o local onde os trágicos eventos ocorreram.

João Marques Junior, gerente da Associação Nacional das Empresas e Profissionais de Piscinas (ANAPP), alertou sobre a ineficácia de um treinamento tão breve para capacitar um profissional a gerenciar a manutenção e o tratamento de uma piscina coletiva. Para Marques, essa formação é insuficiente e se destina, no máximo, a orientar proprietários sobre como monitorar empresas que realizam serviços de manutenção. “É impossível que quatro horas de treinamento sejam suficientes. Para um profissional auxiliar registrado, cursos de capacitação geralmente exigem ao menos 160 horas de formação”, explicou.

A ANAPP enfatizou que a norma NBR 10.339, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, não especifica a carga horária para formação, mas determina conteúdos que devem ser abordados. Marques também destacou que palestras e cursos gratuitos oferecidos por empresas de produtos químicos, apesar de fornecerem informações sobre tratamento básico de água, não substituem o conhecimento técnico que um profissional qualificado deve possuir.

O incidente teve início no último sábado, quando uma aluna de natação, Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, sofreu uma parada cardíaca após a aula. Além dela, seis outros nadadores apresentaram graves reações, levando alguns à internação em estado sério. O ocorrido gerou uma onda de preocupações não apenas sobre a segurança das instalações, mas também sobre a capacitação de quem cuida da manutenção da piscina.

O responsável pela manutenção da água da C4 Gym, um manobrista de 43 anos, estava sob a supervisão direta de Celso Bertolo Cruz. Segundo informações preliminares, ele recebia orientações sobre os cuidados com a piscina via aplicativos de mensagens. Essa relação de supervisão direta e a quantidade mínima de treinamento são questionáveis, especialmente após a análise da ANAPP, que afirmou que variações na composição da água podem ter consequências graves para a saúde.

Os advogados de Celso Bertolo Cruz já se posicionaram, alegando que recebem a decisão judicial assegurando a liberdade do cliente com satisfação, e que ele cumprirá todas as determinações legais enquanto o caso avança.

Esse trágico evento acende o debate sobre a responsabilidade de academias e outras instalações que operam piscinas, além de destacar a urgência de uma regulamentação mais rigorosa para garantir a segurança das atividades aquáticas, especialmente em locais que recebem público em grande escala.

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