Tragédia na BR-381 revela falhas no serviço de remoção de corpos em Belo Horizonte, com atrasos de até 10 horas e falta de viaturas adequadas.

Belo Horizonte – A recente morte do cinegrafista Rodrigo Lapa, de 49 anos, em um trágico acidente na BR-381, trouxe à tona uma crítica importante sobre a eficiência e a logística do sistema de remoção de corpos na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O incidente, ocorrido na quarta-feira, 15 de abril, destaca a precariedade do serviço, que tem enfrentado problemas recorrentes.

O falecimento do profissional foi confirmado por volta das 13 horas, mas, surpreendentemente, o corpo só foi removido da rodovia por volta das 19 horas. Essa demora é um sintoma de uma situação alarmante, conforme apontam membros do Sindicato dos Escrivães de Polícia do Estado de Minas Gerais (Sindep-MG). De acordo com o presidente do sindicato, Marcelo Horta, esta situação não é uma exceção, mas sim uma prática comum na região. Ele menciona que denúncias sobre o tema foram feitas em audiências públicas desde 2024, mas nenhuma medida efetiva foi tomada.

Horta explica que a frota disponível para a remoção de corpos é bastante limitada – apenas seis viaturas para atender Belo Horizonte e sua vasta região metropolitana. Além disso, é comum que duas dessas viaturas estejam fora de operação devido a manutenções constantes, uma vez que foram adaptadas para essa função e não projetadas especificamente para o serviço. O efetivo disponível é igualmente escasso, com apenas três equipes totalizando 15 profissionais, resultando em duas pessoas por viatura em muitas situações.

Em relação ao tempo levado para a remoção do corpo do cinegrafista, Horta considerou que seis horas foi, na verdade, um tempo razoável, embora relatasse casos em que esse processo se arrasta por até 10 horas devido à demanda extensa na capital e arredores.

A Polícia Civil de Minas Gerais, em resposta às críticas, afirmou que tem buscado aprimorar o serviço de remoção de corpos, mencionando a locação de veículos especializados para esse fim. Embora tenham sido contratados oito rabecões para auxiliar a frota existente, não foi especificada a quantidade exata de veículos disponíveis na própria frota. A corporação ressaltou também que a eficiência do serviço pode ser negativamente afetada por fatores externos como o tráfego intenso e horários de pico.

A situação revelada pós-acontecimento é um apelo à necessidade urgente de melhorias e investimentos adequados para garantir uma resposta mais célere e eficaz em momentos críticos, refletindo a importância de um serviço que deve ser respeitado e bem estruturado. A espera por uma mudança efetiva continua a ser uma prioridade necessária para salvar vidas e respeitar a dignidade dos falecidos e de suas famílias.

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