Traficantes do Dona Marta usavam redes sociais para vender drogas como “especiarias”; operação policial desencadeia intenso tiroteio na Zona Sul do Rio.

Operação Combate ao Tráfico na Comunidade Dona Marta

Na última terça-feira, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) desencadeou uma operação significativa na comunidade Dona Marta, situada na Zona Sul do Rio de Janeiro. O cerco policial foi motivado por investigações que revelaram o uso de uma rede social para a comercialização de drogas, com traficantes anunciando os entorpecentes sob a camuflagem de “especiarias”. A ação da polícia foi marcada por intenso tiroteio, começando às 5h30 da manhã, e mobilizou uma expressiva quantidade de viaturas e apoio aéreo.

Os criminosos estavam utilizando a plataforma para fazer postagens que continham tanto imagens quanto vídeos de seus produtos, apresentando a maconha como uma variedade gourmet. Uma de suas publicações capturou a atenção por sua linguagem audaciosa: “Fumando as melhores especiarias nesse domingo de frio. E vocês, estão fumando o quê por aí?”. Os anúncios, além de trazerem um toque de ironia, também continham endereços específicos em Botafogo para a retirada dos produtos. Os traficantes promoviam ofertas tentadoras, como a venda de skunk a R$ 10 por grama e promoções de fim de semana, afirmando que “a partir das 10h da manhã” os clientes poderiam aproveitar as vantagens.

Conforme a operação avançava, o clima na comunidade se tornava mais tenso. Moradores relataram uma sequência de tiros e explosões, com o sobrevoo constante de helicópteros policiais. Um passageiro de ônibus foi ferido durante os confrontos, e diversos cidadãos que estavam no Mirante Dona Marta para apreciar o nascer do sol foram pegos de surpresa pela ação. O movimento no trânsito também foi afetado, gerando filas na Rua São Clemente.

A investigação que culminou nesta operação foi iniciada há aproximadamente 22 meses e revelou uma estrutura robusta na comunidade, com 44 indivíduos identificados como partícipes do tráfico. A operação teve o objetivo não só de cumprir mandados judiciais, mas também de desmantelar a facção criminosa. De acordo com a Polícia Civil, a liderança do grupo era atribuição de Ronaldo Pinto Lima e Silva, mais conocido como Ronaldinho Tabajara, atualmente custodiado em um presídio de segurança máxima.

A ação da DRE reflete uma estratégia mais ampla, conhecida como Operação Contenção, que até agora resultou na apreensão de centenas de armas e na captura de mais de 360 suspeitos, além de dar continuidade às investigações para fortalecer a luta contra o tráfico de drogas na região.

Sair da versão mobile