Trabalho Doméstico no DF: Mulheres do Entorno Enfrentam Deslocamentos Longos para Sustentar Famílias e Lidar com Baixos Salários e Insegurança.

O trabalho doméstico no Distrito Federal constitui uma rede social complexa que depende essencialmente de mulheres que vêm de cidades do Entorno. Em 2024, a pesquisa sobre emprego e desemprego na região revelou que cerca de 117 mil pessoas estavam empregadas nessa área. Destas, aproximadamente 50 mil viviam em municípios próximos, como Águas Lindas de Goiás, Valparaíso de Goiás e Luziânia, sendo que a maioria, cerca de 35 mil, enfrentava o desafio diário de se deslocar até a capital para o trabalho. Por sua vez, aproximadamente 67 mil trabalhadoras residiam diretamente no DF.

Essas mulheres são fundamentais para a rotina das famílias brasilienses, realizando tarefas essenciais que vão desde a limpeza até o preparo de alimentos e cuidados pessoais. Um exemplo representativo é o caso de Tania Dias de Souza, de 36 anos, que mora em Valparaíso e leva uma vida de intensa dedicação. Mãe de dois filhos, ela se desloca diariamente para a Asa Sul, onde a demanda por serviços é maior e a remuneração, significativamente melhor. A diferença salarial entre as oportunidades no Entorno e na capital pode ser de até um salário mínimo, o que explica sua escolha por trabalhar em Brasília.

A rotina de Tania é intensa. Para chegar ao seu local de trabalho, ela sai de casa às 6h30 e enfrenta um trajeto que pode durar até duas horas, muitas vezes em ônibus lotados. “Quando tudo vai bem, chego entre 8h e 8h30, mas se tem algum acidente, posso levar até 10h”, relata, evidenciando não só o tempo, mas também o desgaste emocional e físico envolvido nesse deslocamento. Ela investe cerca de R$ 23 diários apenas em transporte.

No contexto do DF, quase todas as trabalhadoras da área (99,7%) estão empregadas em localidades próximas às suas residências, o que sublinha ainda mais o impacto da mobilidade na vida das empregadas que residem no Entorno. Em termos de proteção social, a realidade é alarmante: em 2024, além de apenas 47 mil trabalhadoras terem registro formal, mais de 64 mil não contribuíam para a Previdência Social, expondo-se a uma série de vulnerabilidades.

A renda média mensal de uma trabalhadora doméstica gira em torno de R$ 1,6 mil, com mais da metade delas (cerca de 66 mil) recebendo até um salário mínimo. Este panorama é ainda mais crítico para aquelas que vivem no Entorno, onde 61,4% estão nessa faixa de renda. Aproximadamente 58 mil pessoas, ou 49,6% do total, são as principais responsáveis pelo sustento de seus lares, tornando o emprego doméstico a principal fonte de renda em muitas famílias, um dado que é refletido tanto no DF quanto no Entorno.

Assim, a rotina desgastante de longos percursos e jornadas extensas é um reflexo não apenas da realidade dessas mulheres, mas também da importância vital que elas têm para o funcionamento de milhares de lares no Distrito Federal. A luta diária por melhores condições de trabalho e remuneração é um eco que se faz ouvir cada vez mais entre as comunidades que dependem desse formidable braço de força feminina.

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