Em São Paulo, a manifestação foi pontuada por discursos fervorosos de líderes trabalhistas. Um dos participantes, William Agulhão, que trabalha na Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), expressou sua indignação afirmando que “é preciso organizar a luta nas ruas para efetuar mudanças concretas”. Ele destacou que a realidade financeira da maioria dos trabalhadores que enfrentam essa escala é alarmante, com muitos recebendo salários próximos ao mínimo — cerca de R$ 2 mil por mês, insuficientes para uma vida digna. A situação se torna ainda mais gritante quando se considera que o salário mínimo ideal calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para dezembro de 2025 deveria ser R$ 7.106,83, muito acima do que atualmente é pago.
O protesto ocorre em um contexto de tensões políticas. Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para acabar com a escala 6×1 foi adiada, devido a manobras da oposição, que considera o tema “sensível”. A aprovação da PEC é um desejo urgente dos trabalhadores, que buscam dignidade e um equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Além disso, o governo federal tem se movimentado para pressionar a aprovação de uma lei que reduza a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, visando melhorar as condições laborais, garantindo que a redução não impacte os salários. Esta proposta se torna ainda mais relevante no contexto de uma economia marcada pela superexploração dos trabalhadores, que têm sua qualidade de vida comprometida pela rigidez das escalas de trabalho.
O cenário político e econômico se apresenta desafiador, e os trabalhadores seguem firmes em sua luta por justiça e reconhecimento, vislumbrando um futuro onde direitos são respeitados e a dignidade humana é priorizada.






