Os números também indicam que muitos trabalhadores estão assumindo créditos em condições menos favoráveis. Aproximadamente 29% dos que realizaram um segundo empréstimo enfrentaram taxas de juros superiores às do primeiro financiamento. Essa realidade podem refletir uma pressão crescente por capital em um cenário econômico desafiador.
O estudo, que analisou operações até abril deste ano, revelou que a maioria dos contratos firmados foi de baixo valor, com 44% dos empréstimos registrados não ultrapassando R$ 1.500. Esses contratos de menor montante resultaram em taxa média mensal de 7% maior quando comparados a operações mais vultosas e com prazos mais longos. Por outro lado, os contratos que superaram R$ 20 mil representaram apenas 1,9% do total das operações, mostrando que as instituições têm focado maior parte de suas ofertas em empréstimos menores e de prazo curto.
Esse fenômeno sugere que o novo crédito consignado está se concentrando em operações de baixo ticket e curta duração, uma realidade que preocupa especialistas da área financeira. Entre os participantes dessa modalidade, 68% relataram entre duas a cinco consultas ao CPF nos últimos meses, enquanto 69% enfrentam algum tipo de restrição financeira ativa.
Para garantir um crescimento saudável desse segmento, líderes do setor alertam para a importância da educação financeira e da transparência em relação a taxas e condições. O amadurecimento deste modelo de crédito não se limita apenas à ampliação da oferta, mas também à capacidade de promover um uso responsável e sustentável do crédito ao longo do tempo. Essa dinâmica poderá definir o futuro do crédito consignado e seu impacto sobre a vida financeira dos trabalhadores.
