Mario Avelino, presidente do Instituto Fundo de Garantia do Trabalhador (IFGT), projetou que, até o final de 2025, o patrimônio do FGTS deverá alcançar aproximadamente R$ 850 bilhões, um aumento estimado de 10% em relação ao ano anterior. Este crescimento está intimamente ligado à expansão do emprego formal no Brasil, onde um maior número de trabalhadores registrados implica em um saldo acumulado mais robusto no fundo, independentemente da volatilidade do mercado de trabalho.
As expectativas para o lucro do FGTS em 2025 são otimistas, com uma previsão de cerca de R$ 15 bilhões. Se a distribuição mantiver o mesmo percentual de 95%, aproximadamente R$ 14,25 bilhões devem ser repassados aos trabalhadores, o que representaria cerca de R$ 21 para cada R$ 1.000 depositados nas contas do FGTS.
Entretanto, há uma preocupação premente em relação à atualização dos saldos. A falta de depósitos regulares no FGTS tem afetado cerca de 25 milhões de trabalhadores, que enfrentam perdas estimadas em R$ 72 bilhões. Essa situação se agrava por conta da inadimplência de aproximadamente 2 milhões de empregadores, onde muitos trabalhadores só descobrem essas irregularidades ao tentarem sacar o FGTS ou em momentos cruciais, como na aquisição da casa própria ou na aposentadoria.
Além da ausência dos depósitos mensais, as consequências financeiras podem ser ainda mais severas. Muitos trabalhadores não apenas perdem a distribuição anual de lucros, mas também valores relacionados à multa rescisória. Para mitigar essas perdas, o IFGT propõe mudanças legislativas, visando que as multas aplicadas a empregadores inadimplentes sejam revertidas aos trabalhadores prejudicados.
Atualmente em tramitação no Senado, o Projeto de Lei Nº 2.398/2026 busca trazer mais justiça para esse contexto. Segundo Avelino, é alarmante que a maioria das pessoas só se dê conta da ausência de depósitos ao tentarem sacar o FGTS. A recomendação é que haja uma maior conscientização e controle por parte dos trabalhadores sobre seus depósitos, já que este fundo é, na verdade, um recurso deles.
Para possibilitar esse controle, o Instituto lançou o aplicativo FGND (Fundo de Garantia Não Depositado), uma ferramenta que permite identificar valores que não foram recolhidos e calcular a quantia exata que as empresas devem. O aplicativo é acessível para assinantes e representa uma inovação importante na maneira de monitorar o FGTS, permitindo que os trabalhadores tenham mais autonomia sobre seus direitos.
