A representante também mencionou o alto custo associado a essas investigações, levantando questões sobre a responsabilidade financeira e o uso de recursos que não resultam em ações concretas ou na responsabilização de indivíduos por crimes graves. Esse cenário torna a atuação do tribunal mais um ponto de debate nas relações internacionais, especialmente em um período em que a busca por justiça e a proteção dos direitos humanos são constantemente questionadas.
Um exemplo notório citado na discussão é o caso da Líbia, onde o TPI iniciou uma investigação em março de 2011. O objetivo era apurar possíveis crimes contra a humanidade após a derrubada do regime de Muammar Kadhafi, que levou o país a uma espiral de caos e divisões internas. Desde então, a Líbia tem enfrentado uma grave crise política, com um impasse entre as regiões leste e oeste, refletindo a fragilidade institucional e a incapacidade de se restaurar a ordem no país. Em 2021, a comunidade internacional, através da ONU, tentou facilitar um diálogo político que resultou na eleição de uma autoridade executiva de transição, destinada a governar até eleições gerais, que, no entanto, não ocorreram conforme previsto.
A situação na Líbia exemplifica o desafio mais amplo enfrentado pelo TPI – a implementação de decisões e a efetividade das investigações em contextos complexos e voláteis. A crítica russa ao TPI sugere um aprofundamento das divisões geopolíticas nas discussões sobre justiça internacional, destacando a necessidade urgente de reformas e maior transparência nos trabalhos desse tribunal, que busca se afirmar como a principal instância de justiça para crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
