Torcida adota Angola, goleira de 98kg brilha e africanas derrubam Romênia

Angolanas são apoiadas do início ao fim na Arena do Futuro, Bá se destaca no gol e africanas passam todo o jogo à frente do placar para conquistar grande vitória no Rio

Sabe aquela vontade que o brasileiro tem de torcer por quem tem algum tipo de proximidade com ele? Pois é… Na manhã deste sábado, até tinha Brasil em ação na Arena do Futuro, quando aseleção superou a Noruega, atual bicampeã olímpica e campeã mundial, por 31 a 28 no primeiro dia do handebol feminino nos Jogos Olímpicos do Rio. Mas à noite, até parecia que Ana Paula, Alexandra e cia. haviam voltado à quadra. As responsáveis pela euforia da torcida brasileira até falavam português, mas não eram as comandadas do técnico Morten Soubak. Era a equipe de Angola, país onde também se fala português.

Com todo o apoio da arquibancada, as angolanas pareciam as brasileiras em quadra no confronto diante da Romênia, algoz do Brasil nas quartas de final do Mundial de 2015 e terceira colocada naquela competição. Com um trabalho defensivo forte, as grandes defesas da goleira Teresa Almeida (a Bá) e um ataque matador, a Angola surpreendeu ao passar todo o primeiro tempo à frente do placar, vencendo por 11 a 9 ao intervalo. As africanas não diminuíram o ritmo, evitaram a reação adversária e conquistaram uma vitória marcante de 23 a 19 diante da poderosa Romênia. Após o apito final, foi só comemorar com muita festa diante dos brasileiros.

Seleção de Angola de handebol faz a festa depois da vitória (Foto: AP)

– Nada é difícil. Começamos a trabalhar a bastante tempo e o treinador (Filipe de Carvalho) sempre nos disse que era só acreditar que tudo daria certo. Nós entramos um bocadinho nervosas, mas depois encaramos o jogo e vimos que estava tudo ao nosso alcance. Só temos que agradecer ao público brasileiro, nos sentimos em casa. Com muito trabalho, vamos chegar lá. Ganhar sempre é o sonho de todas nós – comentou a goleira Bá.

Essa foi a segunda vitória da seleção feminina de Angola na história das Olimpíadas. A primeira (e única até então) havia sido em Londres 2012, quando elas fizeram 31 a 25 em cima da Grã-Bretanha, país que não tem tradição nenhuma no handebol. O melhor resultado da equipe africana nos Jogos Olímpicos foi justamente em Londres, quando ficaram em 10º lugar (entre 12 seleções). Em Atlanta 1992, o time foi sétimo, mas o torneio contava com apenas oito equipes.

Angola, Espanha e Brasil venceram os jogos da primeira rodada do Grupo A (respectivamente contra Romênia, Montenegro e Noruega. Os próximos confrontos da chave são nesta segunda-feira: Espanha x Noruega (14h40), Brasil x Romênia (16h40) e Angola x Montenegro (21h50), horários de Brasília.

Teresa Almeida brilha na vitória angolana (Foto: Reuters)

Já poderia se imaginar que, pelo fato que a Romênia eliminou o Brasil no Mundial de 2015, as europeias não teriam muito apoio na Arena do Futuro. Mas se restava alguma dúvida, o primeiro gol do jogo, nas mãos da capitã Natalia Bernardo, deixou tudo às claras. Com ele a torcida brasileira levantou e não parou mais tanto de incentivar a seleção africana como de vaiar a posse de bola romena. A vantagem de Angola chegou a ser de três gols até que Cristina Neagu, na cobrança de sete metros, fez o primeiro das romenas, apenas quando o relógio marcava 9s41 de jogo. A equipe europeia até empatava, mas passou todo o primeiro tempo sem estar na dianteira. Enquanto isso, a goleira Bá, mesmo pesando 98kg, se destacava com defesas que exigiam reflexo e passou a ser a xodó da torcida brasileira.

O pesadelo romeno continuou no segundo tempo. A vantagem angolana chegou a ser de cinco gols (16 a 11). À metade da etapa final, a diferença ainda era boa (17 a 13). Dava tudo certo para a equipe de Angola, inclusive a goleira reserva Cristina Branco entrou nas cobranças de sete metros da Romênia e conseguiu evitar por duas vezes o gol. A torcida brasileira não parou de incentivar e isso deu ainda mais forças para as angolanas. Nos últimos cinco minutos, o grito que ecoou foi o de “eu sou angolano, com muito orgulho, com muito amor”. Teve direito até a “olé” a cada passe no campo de ataque. E foi assim, marcando gols e recebendo todo o apoio, que as africanas conquistaram um triunfo memorável.

Globo esporte

07/08/16

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