Historicamente, Japão e Coreia do Sul enfrentaram dilemas semelhantes, como durante a Guerra do Iraque, quando decidiram apoiar os Estados Unidos, apesar de restrições legais e internas. Contudo, a postura atual de Tóquio e Seul é marcada por hesitação, mesmo com os apelos do presidente Donald Trump para que seus aliados participem ativamente de operações navais no Estreito de Ormuz, incluindo a escolta de navios e a remoção de minas.
Analisando as mudanças na percepção sobre os Estados Unidos, os especialistas observam que a confiança dos aliados na liderança americana diminuiu drasticamente. Durante o governo de George W. Bush, havia um sentimento de que a gestão das alianças era parte integrante da estratégia militar. O presidente anterior mantinha um foco claro na articulação de um objetivo comum, ao contrário de Trump, cujos apelos são frequentemente contraditórios, misturando convites ao apoio militar com afirmações de que os EUA não necessitam desse auxílio.
Essa falta de objetivos claros nas operações contra o Irã compromete ainda mais a disposição de Tóquio e Seul em apoiar a coalizão militar. Já há preocupações formadas em torno da possibilidade de ambos os países se verem arrastados para um conflito prolongado sem uma saída definida. Os receios são intensificados pelo trato muitas vezes hostil de Washington em relação a seus parceiros, que foram impactados por pressões econômicas.
Nesse cenário, a oposição interna em Japão e Coreia do Sul a qualquer participação militar no Oriente Médio se agrava. A crescente onda de incertezas sobre a política externa dos EUA, assim como a maneira como os aliados são tratados, mina as chances de um consenso favorável para a colaboração em missões militares. A situação evoca questionamentos sobre a verdadeira estratégia americana e se as decisões seguem um planejamento coerente ou são impulsos de um líder específico.
Enquanto isso, o conflito com o Irã se aproxima da terceira semana, com Washington estabelecendo como objetivo primordial a eliminação das capacidades militares de Teerã e fomentando uma mudança de regime. Por outro lado, o Irã se posiciona defensivamente, advertindo que não está disposto a reiniciar negociações, refletindo um estancamento nas ações diplomáticas e aumentando a complexidade da crise.
