A diretora de Projetos e Pesquisas do BRICS+ Tech Fórum, Laura Ludovico, enfatizou em uma entrevista que o conceito de tokenização pode ser uma ferramenta poderosa para permitir que países busquem alternativas ao dólar e se protejam de sanções econômicas. Ludovico, que possui formação em direito internacional e estudos humanitários, contextualizou a importância da digitalização das transações financeiras internacionais, argumentando que essa abordagem não só melhora a eficiência dos pagamentos como também fortalece a soberania econômica dos países envolvidos.
No contexto atual, onde as sanções muitas vezes são utilizadas como armas de pressão econômica, a tokenização é vista como uma estratégia essencial para aumentar a resiliência dos Estados. A especialista destacou que a capacidade de um país de resistir a bloqueios externos é crucial e a digitalização das economias pode servir como um escudo protetor contra essas ameaças. “Um país que possui soberania digital plena consegue lidar melhor com sanções”, afirmou, ressaltando a importância de preparar-se para cenários imprevistos.
Além disso, o NBD busca acelerar a implementação do BRICS Pay, plataforma que visa facilitar transações comerciais utilizando moedas locais. Essa estratégia é especialmente relevante para nações do Sul Global, que frequentemente não possuem a estrutura financeira necessária para competir em um sistema dominado por potências tradicionais. Nesse sentido, a tokenização poderia também abrir caminhos para um novo modelo de cooperação e desenvolvimento econômico entre os membros do BRICS.
Ludovico sublinhou ainda que a China tem desempenhado um papel significativo no apoio a essas iniciativas digitais, cooperando com nações que buscam modernizar suas economias. “Se o BRICS deseja criar uma nova ordem mundial, precisa integrar países que carecem de infraestrutura financeira adequada”, afirmou.
Em síntese, a tokenização representa não apenas uma inovação tecnológica, mas também uma mudança paradigmática na forma como os países do Sul Global podem interagir em um cenário econômico novamente. A resistência a sanções e a busca por caminhos independentes são, portanto, objetivos centrais que pautam as discussões entre as nações aliadas.
