Toffoli se afasta de caso do Banco Master após menções em relatórios da PF envolvendo negócios familiares e investigações sobre fraudes financeiras.

O ministro Dias Toffoli confirmou sua saída da relatoria do caso envolvendo o Banco Master, após uma reunião com outros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), convocada pelo presidente da Corte, Edson Fachin. A decisão foi impulsionada pelo recente relatório da Polícia Federal (PF), que menciona Toffoli em mensagens coletadas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Embora os detalhes do documento permaneçam sob sigilo, as implicações geraram uma intensificação das tensões políticas, especialmente em relação ao pedido de uma investigação mais profunda sobre o ministro.

Em uma nota divulgada na mesma ocasião, Toffoli esclareceu ser sócio da empresa Maridt, que recentemente vendeu uma participação no resort Tayayá, localizado em Paraná. O negócio foi concluído com um fundo de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que é o proprietário do Banco Master. Os registros da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp) indicam que a Maridt foi constituída em 2020 e tem sua sede na residência de um dos irmãos de Toffoli. É importante ressaltar que, como a Maridt é uma sociedade anônima de capital fechado, a estrutura acionária pode incluir investidores que não aparecem nos registros públicos.

Toffoli assegurou que declarou à Receita Federal todas as receitas obtidas durante negociações e reafirmou que não recebeu dinheiro de Vorcaro ou Zettel. Ele argumenta que a responsabilidade pela relatoria do caso Master surgiu apenas quando sua empresa não estava mais envolvida nas atividades investigadas.

A relação da Maridt com o Banco Master é complexa, já que a empresa fez parte do grupo Tayayá Ribeirão Claro até fevereiro de 2025. A saída ocorreu em duas etapas, culminando em uma venda significativa de cotas para o fundo de investimento ligado a Zettel. O contexto da investigação vem à tona com informações da PF, que reportou ao STF a existência de menções ao ministro nas investigações da Operação Compliance Zero — que examina fraudes associadas ao banco.

A situação levou a um pedido formal de suspeição contra Toffoli, alegando que ele poderia ter vínculos comprometedores em relação ao caso. O ministro se posicionou negando qualquer suspeita de imparcialidade, enfatizando a legitimidade de suas ações. A tensão aumentou com pedidos de investigação por parte de alguns senadores, levantando questões sobre o impacto das relações empresariais na função pública de magistrados.

Após a reunião na Corte, ao ser questionado sobre o clima entre os ministros, Toffoli respondeu de forma breve, elogiando a harmonia nas discussões, mas sem entrar em detalhes sobre sua decisão de se afastar do caso. A situação ressalta não apenas a complexidade das investigações em andamento, mas também os desafios às instituições brasileiras na busca por transparência e justiça.

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