Toffoli Afirma que Juízes Não Podem Expresar Opiniões Políticas Durante Julgamento de Ações sobre Redes Sociais no Judiciário

Na última quarta-feira, 4 de fevereiro, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), enfatizou a necessidade de imparcialidade entre os magistrados ao tratar de questões político-eleitorais. Durante o julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 6293 e 6310, que abordam dispositivos de uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre o uso de redes sociais por membros do Judiciário, Toffoli declarou que seus colegas não estão livres para expressar opiniões políticas.

“Na magistratura, não somos livres para dar opiniões políticas eleitorais”, afirmou Toffoli, sublinhando a importância de manter a neutralidade e a confiança da sociedade nas decisões judiciais. Esta afirmação se deu em um contexto em que, nas eleições de 2018, a polarização política resultou em juízes fazendo declarações públicas, até mesmo vestindo camisetas de candidatos em redes sociais. Tal atitude levantou preocupações sobre a possibilidade de comprometimento da imparcialidade do Judiciário.

Toffoli mencionou uma resolução aprovada pelo CNJ em 2019, que estabeleceu diretrizes claras sobre a atuação de magistrados nas redes sociais visando reforçar a imagem institucional do Judiciário e preservar sua confiança perante a sociedade. O então conselheiro Aloysio Corrêa da Veiga foi encarregado de redigir a proposta, que passou por amplos debates com representantes de todo o sistema de Justiça em busca de um consenso.

O ministro ressaltou que a resolução foi uma resposta institucional a práticas que poderiam prejudicar a credibilidade do Judiciário. Essa nova regra impôs limites às expressões individuais dos magistrados, reforçando que a liberdade de opinião não deve se sobrepor à responsabilidade que a função implica.

A repercussão desse debate é significativa, pois muitos magistrados decidiram deixar a carreira judicial devido a essas restrições impostas, evidenciando a tensão entre a liberdade pessoal e as exigências da função pública. Esse assunto continua sendo relevante dentro de um contexto de crescente polarização política no Brasil, e a posição de Toffoli em defesa da imparcialidade do Judiciário pode ser vista como um esforço para fortalecer a confiança da população nas instituições democráticas.

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