A decisão do tribunal foi unânime e estipulou um prazo de 15 dias para que o governo do estado efetive a intervenção, que terá duração inicial de seis meses, podendo ser prorrogada. O desembargador Gervásio dos Santos, relator do caso, fundamentou sua análise em provas apresentadas pelo Ministério Público, que indicam um uso indevido de cargos públicos para enriquecimento ilícito. Desde 2021, segundo as investigações, o grupo estaria utilizando empresas de fachada para manipular licitações, simular concorrências e levar a cabo lavagem de dinheiro.
O magistrado destacou que o suposto desvio de valores tão elevados cria um risco real de comprometimento na prestação de serviços públicos essenciais, afetando diretamente a qualidade de vida da população. A falta de substituição pelos meios tradicionais de sucessão também foi mencionada, já que o presidente da Câmara Municipal também se encontrou implicado nas acusações.
A operação que desencadeou estas revelações foi denominada “Operação Tântalo”, realizada em dezembro de 2022, resultando na prisão de 21 indivíduos. Enquanto o prefeito continua sob custódia, manifestando-se favoravelmente à revisão de sua situação, os vereadores cumprem pena em regime domiciliar.
Além da nomeação do interventor, o tribunal ordenou a criação de uma equipe técnica responsável por uma auditoria detalhada da administração do município, com um foco particular na avaliação da situação financeira e nas condições dos serviços públicos. Este relatório deve ser elaborado e apresentado em até 100 dias.
O esquema de corrupção é descrito pelo MP como “sistêmico e generalizado”, com indicativos de que cerca de 95% das licitações em Turilândia eram fraudulentas. Empresas fictícias teriam sido formadas para competir em licitações manipuladas, em um ciclo que envolvia a devolução da maior parte dos recursos à liderança política do esquema.
Com a administração municipal em frangalhos após o afastamento dos principais líderes, a cidade de 32 mil habitantes se vê desprovida de uma liderança estável. O presidente da Câmara, José Luís Araújo Diniz, está assumindo interinamente a prefeitura enquanto cumpre prisão domiciliar. O inquérito levanta muitas questões jurídicas, gerando críticas e preocupações entre autoridades locais.
As investigações continuam, e os advogados dos acusados ainda não foram localizados para comentar as implicações dos fatos que têm gerado controvérsia. As ações do tribunal visam restabelecer a ordem e a legalidade na gestão pública do município, em um contexto onde a confiança da população na administração local se mostra cada vez mais abalada.
