Título: “Copa de 2026 terá maioria de técnicos estrangeiros, uma mudança histórica no futebol mundial”

O fenômeno da ascensão de treinadores estrangeiros no cenário do futebol não se limita apenas ao Brasil, mas se estende de maneira significativa às seleções nacionais em todo o mundo. Com a recente confirmação do português Carlos Queiroz no comando da seleção de Gana, para a Copa do Mundo, ficou evidente que a participação de técnicos de outros países atingiu um novo patamar. Entre as 48 equipes que se apresentarão na próxima edição do torneio, 27 delas serão dirigidas por profissionais estrangeiros, representando uma expressiva maioria de 56,2%.

Esse número é notoriamente superior se comparado à edição anterior, realizada no Catar em 2022, onde apenas nove dos 32 treinadores eram de fora, somando aproximadamente 28%. Com isso, a tendência de globalização no futebol se torna cada vez mais evidente, refletindo a mobilidade e troca de experiências entre profissionais. Historicamente, todas as seleções campeãs mundiais em 22 edições foram lideradas por técnicos nativos, e agora, com essa mudança, surge a curiosidade se pela primeira vez, um treinador estrangeiro poderá conquistar o título.

Dentre as várias nacionalidades presentes, a França e a Argentina destacam-se com seis representantes cada, na maioria dos casos, treinando seleções que falam o mesmo idioma, o que facilita a comunicação. Essa questão da língua é um ponto importante ressaltado por Ramon Menezes, ex-técnico da seleção brasileira, que aponta a comunicação como um diferencial essencial no desempenho dos treinadores. Na perspectiva dele, a forma como os clubes e seleções priorizam essa capacidade de se comunicar pode influenciar escolhas e, consequentemente, os resultados obtidos em campo.

Curiosamente, a Copa do Mundo de 2026 será a primeira a ocorrer sem um treinador brasileiro desde o início do torneio. Tradicionalmente, o Brasil sempre teve pelo menos um representante no comando de suas equipes, seja a seleções próprias ou de outros países, como foi o caso de Carlos Alberto Parreira e Felipão. Essa ausência se deve, em parte, à instabilidade que permeia o futebol brasileiro, onde em apenas 11 rodadas do Campeonato Brasileiro, 10 treinadores já haviam sido demitidos.

Carlos Eduardo Mansur, comentarista do Sportv, acredita que a falta de um treinador brasileiro no Mundial não diminui a reputação da escola técnica nacional, mas evidencia uma perda de credibilidade. Ele argumenta que a atual situação é resultado de um ambiente que não favorece o desenvolvimento de um trabalho de longo prazo. Da mesma forma, Menezes reconhece que, apesar de termos treinadores capacitados no Brasil, a cobrança excessiva e a busca por resultados imediatos dificultam o trabalho contínuo e aprofundado.

Em busca de reverter essa tendência e se reposicionar no mercado, Ramon tem utilizado o tempo livre para se aprimorar, investindo em idiomas como inglês e espanhol, se preparando para uma eventual oportunidade no exterior. Ele compara essa fase à reabilitação de um atleta, enfatizando a importância do aprendizado contínuo. Com esse olhar voltado para o futuro, os treinadores brasileiros buscam renovar suas carreiras e, quem sabe, abrir espaço para um novo ciclo de sucesso no futebol internacional.

Sair da versão mobile