Esse número é notoriamente superior se comparado à edição anterior, realizada no Catar em 2022, onde apenas nove dos 32 treinadores eram de fora, somando aproximadamente 28%. Com isso, a tendência de globalização no futebol se torna cada vez mais evidente, refletindo a mobilidade e troca de experiências entre profissionais. Historicamente, todas as seleções campeãs mundiais em 22 edições foram lideradas por técnicos nativos, e agora, com essa mudança, surge a curiosidade se pela primeira vez, um treinador estrangeiro poderá conquistar o título.
Dentre as várias nacionalidades presentes, a França e a Argentina destacam-se com seis representantes cada, na maioria dos casos, treinando seleções que falam o mesmo idioma, o que facilita a comunicação. Essa questão da língua é um ponto importante ressaltado por Ramon Menezes, ex-técnico da seleção brasileira, que aponta a comunicação como um diferencial essencial no desempenho dos treinadores. Na perspectiva dele, a forma como os clubes e seleções priorizam essa capacidade de se comunicar pode influenciar escolhas e, consequentemente, os resultados obtidos em campo.
Curiosamente, a Copa do Mundo de 2026 será a primeira a ocorrer sem um treinador brasileiro desde o início do torneio. Tradicionalmente, o Brasil sempre teve pelo menos um representante no comando de suas equipes, seja a seleções próprias ou de outros países, como foi o caso de Carlos Alberto Parreira e Felipão. Essa ausência se deve, em parte, à instabilidade que permeia o futebol brasileiro, onde em apenas 11 rodadas do Campeonato Brasileiro, 10 treinadores já haviam sido demitidos.
Carlos Eduardo Mansur, comentarista do Sportv, acredita que a falta de um treinador brasileiro no Mundial não diminui a reputação da escola técnica nacional, mas evidencia uma perda de credibilidade. Ele argumenta que a atual situação é resultado de um ambiente que não favorece o desenvolvimento de um trabalho de longo prazo. Da mesma forma, Menezes reconhece que, apesar de termos treinadores capacitados no Brasil, a cobrança excessiva e a busca por resultados imediatos dificultam o trabalho contínuo e aprofundado.
Em busca de reverter essa tendência e se reposicionar no mercado, Ramon tem utilizado o tempo livre para se aprimorar, investindo em idiomas como inglês e espanhol, se preparando para uma eventual oportunidade no exterior. Ele compara essa fase à reabilitação de um atleta, enfatizando a importância do aprendizado contínuo. Com esse olhar voltado para o futuro, os treinadores brasileiros buscam renovar suas carreiras e, quem sabe, abrir espaço para um novo ciclo de sucesso no futebol internacional.







