Tiroteios e Explosivos Aéreos Marcam a Violência no Complexo da Penha
Na Zona Norte do Rio de Janeiro, a tensão e o medo se tornaram protagonistas nas vidas dos moradores do Complexo da Penha, onde um intenso tiroteio foi registrado entre a noite de segunda-feira e a madrugada desta terça-feira. Moradores relataram a utilização de balas traçantes durante os confrontos. Um forte estrondo foi ouvido por volta de 00h30, na localidade da Chatuba, quando um artefato lançado por um drone provocou uma explosão ao atingir uma piscina em um quintal.
A Polícia Militar, em resposta ao clima de apreensão, anunciou o aumento do policiamento na região, assegurando que a Unidade de Polícia de Proximidade (UPP) do Complexo da Penha identificou, através de monitoramento, a presença de drones armados com explosivos nas proximidades do Morro do Sereno. Os disparos foram considerados uma ameaça direcionada à comunidade da Cidade Alta.
Um levantamento recente revela que, desde março, cinco incidentes envolvendo drones foram registrados, evidenciando uma crescente utilização desses aparelhos por grupos criminosos. Os conflitos territoriais entre facções rivais, em particular entre o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP), que se intensificaram nos últimos meses, são atribuídos a esses ataques. O tráfico de drogas na região é dominado por Edgar Alves de Andrade, também conhecido como Doca ou Urso, um suposto membro da cúpula do CV.
Os episódios de violência não se restringem a confrontos armados. Em um ataque recente na Favela dos Dourados, duas pessoas foram feridas em um ataque com um explosivo lançado por um drone durante uma festa infantil. Além disso, há indícios de que um “aulão” para ensinar a operá-los estava prestes a ocorrer, mas foi cancelado devido às condições climáticas.
Um investigador da polícia comentou sobre a estratégia dos criminosos, que, além de utilizar drones para lançar granadas, monitoram o espaço aéreo para detectar a presença de outros drones. Com tecnologias que simulam um radar, eles podem rastrear aeronaves operadas por forças policiais ou rivais.
As consequências da violência no Complexo da Penha são alarmantes, demonstrando a gravidade da situação na comunidade. Em episódios anteriores, como em maio, um adolescente de 15 anos foi gravemente ferido quando um drone lançou um explosivo sobre ele. Outros relatos de explosões em diferentes regiões da cidade evidenciam a ameaça constante que paira sobre a população, alertando para um cenário em que o céu não oferece mais segurança, mas sim um novo campo de batalha.
