Tiro que matou Arthur não saiu da arma de suspeito, diz exame

Exame de confronto balístico realizado na tarde desta quinta-feira (4) pelo Instituto de Criminalística de São Paulo apontou que o projétil que atingiu na noite de Ano Novo o garoto Arthur Aparecido Silva, de 5 anos, não saiu da arma do homem apontado pela polícia como principal suspeito.

O menino foi ferido por tiro de revólver calibre 38 na Zona Sul de São Paulo durante festa de réveillon. O disparo atingiu a parte superior da cabeça, e o garoto morreu na tarde de segunda-feira (1º), informa o G1.

Na terça-feira, um suspeito que teria efetuado de três a quatro disparos para o alto na noite de réveillon foi preso. O homem disse informalmente aos policiais que tem uma arma e que passou pelo local onde o garoto foi atingido e efetuado os disparos para celebrar a virada do ano.

O suspeito acabou liberado na madrugada de quarta-feira (3). A Justiça negou o pedido de prisão temporária feito pela polícia por entender que não havia elementos suficientes para manter o homem preso.

A arma do suspeito foi entregue à Polícia Civil na tarde desta quinta-feira (4) para exame de confronto balístico. A polícia chegou até o suspeito após uma pessoa ter denunciado que ele estava preocupado com as repercussões do caso menino Arthur, segundo informou o delegado responsável pelo caso, Antônio Sucupira Neto, do 89° Distrito Policial.

Histórico do caso

O menino brincava no quintal quando foi atingido por um tiro na madrugada de segunda-feira (1º). A vítima fazia bolinhas de sabão com outras crianças quando caiu no chão. Familiares notaram que ela tinha um sangramento na nuca e o levaram para o Hospital Family. Parentes de Arthur relataram dificuldades em conseguir vaga em hospitais públicos e privados da cidade, além de negligência no atendimento do Serviço Móvel de Urgência (Samu), da prefeitura.

A assessoria de imprensa do Hospital Family disse que o menino deu entrada no centro médico à 0h05 de segunda-feira (1°) desacordado. Ele passou por avaliação médica e exames e, antes de ser constatado o ferimento por arma de fogo, o hospital já tentava a transferência para uma unidade de saúde da rede pública com UTI pediátrica. O hospital também afirmou que quem acionou o Samu incialmente foi a família da criança.

O garoto acabou sendo internado no Hospital Geral de Pirajussara, do governo do estado, um dos que inicialmente, de acordo com os parentes, negou ter vaga. Quando conseguiram a vaga, tiveram dificuldade de encontrar uma ambulância para a transferência.

A primeira ambulância do Samu a prestar socorro não tinha UTI e foi dispensada. A segunda, que chegou ao Family às 6h, não tinha um médico na equipe. Profissionais do Family foram junto e conseguiram transferir o menino, que deu entrada no Hospital Pirajussara às 6h20.

04/01/2018

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