A Embaixada dos EUA no Brasil expressou seu apoio por uma “solução pacífica” para a crise, inclusive defendendo que a Corte Internacional de Justiça analise o caso, a pedido da Guiana. No entanto, ao mesmo tempo em que os EUA buscam uma resolução diplomática, promoveram exercícios militares aéreos no território da Guiana, uma medida que acabou sendo classificada como provocação por parte de Caracas.
Lula aproveitou o evento para pedir uma posição do Mercosul em relação à disputa territorial e fez referência a uma declaração adotada pelos ministros da Defesa e das Relações Exteriores da América do Sul, que reafirmam a região como uma zona de paz e cooperação. O presidente brasileiro também manifestou a disponibilidade do Brasil para sediar reuniões entre os países envolvidos no conflito e defendeu o diálogo como forma de solucionar a controvérsia.
A declaração conjunta divulgada ao final do evento reforçou o objetivo de manter a América Latina como um “território de paz” e alertou sobre a necessidade de evitar ações unilaterais que possam aumentar as tensões. No entanto, apenas Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai assinaram tal documento, enquanto a recém-admitida Bolívia optou por não se manifestar.
No centro da disputa está a região de Essequibo, que representa mais de 70% do território da Guiana e tem sido alvo de reivindicações por parte da Venezuela. O presidente Nicolás Maduro tem afirmado repetidamente que pretende recuperar a região após a aprovação de um referendo popular no último domingo. Enquanto o governo da Guiana apela para organismos internacionais como a Corte Internacional de Justiça e o Conselho de Segurança da ONU para intervirem na questão.
A situação sofreu um novo agravamento com as medidas anunciadas por Maduro, que determinaram a criação de uma zona de defesa na região disputada e ordenaram a concessão de licenças para exploração de recursos pela estatal petrolífera PDVSA. A presença de empresas petrolíferas, incluindo a americana ExxonMobil e a francesa TotalEnergies, na região também tem contribuído para aumentar as tensões.
O caso atraiu a atenção dos Estados Unidos, que anunciaram exercícios militares aéreos na Guiana, gerando críticas de Caracas. A Venezuela também afirmou que o presidente da Guiana havia dado sinal verde para a presença do Comando Sul dos Estados Unidos na região, o que foi negado pelo governo americano, que reforçou seu apoio à soberania guianense.
Em meio a essas tensões, o governo da Venezuela mantém a sua posição, apelando para a interpretação do Acordo de Genebra, assinado em 1966, como base para suas reivindicações sobre Essequibo, enquanto a Guiana sustenta a decisão do Laudo Arbitral de Paris de 1899. Com a situação chegando a um ponto de crise, a comunidade internacional se une em apelos por uma resolução pacífica.
