Investigadores apontam que, embora os países árabes estejam formalmente alinhados a Washington, muitos evitam se comprometer abertamente em um apoio direto, refletindo uma hesitação geral em relação a um confronto aberto. A Arábia Saudita, por exemplo, opta por uma abordagem cautelosa, priorizando a segurança interna e a proteção das suas rotas energéticas, enquanto os Emirados Árabes Unidos enfrentam suas próprias tensões regionais, como a situação no Iémen, que os limita a um papel mais ativo em um possível confronto militar.
Israel, como principal adversário do Irã na região, aumenta suas preparações militares, contando com uma defesa robusta e apoio estratégico dos EUA. Contudo, um conflito prolongado pode sobrecarregar suas defesas e abrir espaço para ataques de aliados iranianos, como Hezbollah e milícias xiitas no Iraque. O especialista em questões regionais, Ali Ramos, observa que a fragmentação das posições dos países do Golfo torna o panorama ainda mais imprevisível. Um conflito breve pode ser contido, mas uma guerra de desgaste representa um cenário bem mais complicado, aumentando o potencial para uma instabilidade regional generalizada.
Rubens de Siqueira Duarte, com experiência no campo militar, alerta para a capacidade ainda relevante do Irã, especialmente em sua habilidade de atingir alvos estratégicos, como evidenciado em confrontos recentes. Um fechamento do estreito de Ormuz, importante para o trânsito de petróleo global, seria uma das primeiras ações que Teerã provavelmente tomaria em caso de um confronto, o que exacerbaria as repercussões econômicas do conflito.
Apesar das previsões sombrias sobre os custos econômicos de uma resposta militar, o governo dos EUA, sob a liderança do presidente Donald Trump, não demonstra preocupação em lidar com as implicações financeiras de uma escalada militar. O orçamento militar dos EUA, que supera os 800 bilhões de dólares anuais, é um reflexo do peso do complexo industrial-militar no país. As tensões e instabilidades internacionais podem, paradoxalmente, fortalecer ainda mais essas empresas que dependem da demanda por tecnologia e equipamentos de defesa.
Com as várias dinâmicas em jogo, a situação continua incerta, à mercê não apenas das ações dos Estados Unidos e Irã, mas também da resposta dos países vizinhos e seus interesses. Um desdobramento significativo nos eventos geopolíticos da região pode ser apenas questão de tempo.







