Tensão no Nilo: Egito e Etiópia enfrentam crise hídrica após conclusão da hidrelétrica e proposta de mediação de Donald Trump.

Tensão entre Egito e Etiópia: O Impacto da Barragem do Renascimento no Nilo

A disputa pela água do rio Nilo, que cruza Egito, Sudão e Etiópia, tem gerado crescente tensão entre esses países nos últimos anos. A principal causa desse atrito é a conclusão da Grande Barragem do Renascimento, localizada no rio Nilo Azul, que ao longo de 15 anos foi construída pela Etiópia, sendo finalizada no final do ano passado. Essa obra, que custou aproximadamente US$ 5 bilhões, tem potencial para criar 5,1 mil megawatts de energia e promete transformar a matriz energética etíope, ajudando a fornecer eletricidade a nações vizinhas, como Quênia e Ruanda.

Entretanto, Egito e Sudão, que dependem quase que exclusivamente do Nilo para seu abastecimento de água, veem a barragem com preocupação. A temida redução na vazão de água do Nilo Azul pode ameaçar a segurança hídrica dos egípcios e sudaneses, complicando a já fragilizada situação de abastecimento em períodos de estiagem. Essa preocupação se intensifica em um contexto de mudanças climáticas, que já afetam a regularidade das chuvas na região.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se destacou ao se oferecer como mediador na crise, algo que foi prontamente aceito pelo presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi. Contudo, especialistas como a professora Samira Osman, da Universidade Federal de São Paulo, alertam que a oferta de mediação dos EUA pode não ser bem recebida pela Etiópia, que historicamente desconfia do envolvimento estadunidense na Geopolítica daquela região.

Outro ponto essencial na disputa é a história do Nilo, que tem seu uso regulamentado por acordos datados da década de 1920, criação do Império Britânico. Esses tratados favorecem o Egito e o Sudão, enquanto a Etiópia, que nunca foi uma colônia, busca reavaliar essas condições, alegando que os acordos atualizados refletem a realidade atual, onde seu desenvolvimento energético é fundamental.

O cenário traz à tona a possibilidade de um agravamento dos conflitos, mas especialistas consideram que a utilização de força militar é uma realidade improvável. Contudo, a segurança hídrica continua a ser um ponto sensível na diplomacia entre essas nações. A água do Nilo, vital para a sobrevivência de milhões, permanecerá no centro das discussões políticas, pois o equilíbrio poderá ser rompido se não houver acordo entre os países envolvidos.

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