Os aliados da região expressam sua preocupação com a proposta de acordo, que, segundo fontes, não inclui limitações significativas sobre os mísseis balísticos iranianos. Além disso, há um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões contemplado, que gera receios de que tais recursos possam ser utilizados para fortalecer grupos armados alinhados ao Irã. O estreito de Ormuz, uma passagem crucial para a exportação de petróleo e gás de nações como Arábia Saudita, Kuwait e Catar, é visto com especial apreensão, uma vez que qualquer aumento da influência iraniana nesse ponto estratégico poderia ter repercussões profundas no mercado energético global.
Rubio, durante sua missão, deve navegar delicadamente entre os interesses dos Estados Unidos e as preocupações dos aliados árabes, que se sentem, em parte, traídos pela possibilidade de normalização das relações entre Washington e Teerã. A estratégia americana no Oriente Médio depende da confiança e do apoio de seus parceiros, e, portanto, qualquer mudança no equilíbrio de poder é uma questão que exige um manejo cuidadoso.
Em meio a esse cenário, o secretário também precisa lidar com os legados da administração anterior. Donald Trump continuou a defender a abordagem de sua gestão em relação ao Irã, mesmo diante de oposição interna, e ex-assessores sugerem que Rubio pode relembrar aos aliados a postura mais rígida que pode voltar a ser adotada se o acordo fracassar.
A tensão é palpável, e à medida que os detalhes da proposta são discutidos, a preocupação entre os governos do Golfo se intensifica. A ausência de restrições aos mísseis iranianos vai de encontro ao que foi prometido durante o período de conflito recente, quando os Estados Unidos se mostraram a favor da neutralização dessa capacidade militar. Assim, enquanto as negociações avançam, o futuro das relações no Oriente Médio permanece incerto e permeado de desafios.
