Durante uma coletiva de imprensa, o vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, foi questionado sobre as estratégias do governo brasileiro para contestar essas novas taxas. Ele salientou que essa questão será abordada por Lula, enfatizando que o diálogo entre o USTR, órgão responsável por negociar com o Brasil, e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) está em andamento. Alckmin reiterou que, embora não haja um encontro formal agendado, as conversas são contínuas e essenciais para mitigar os impactos adversos.
Em um pronunciamento recente, Greer destacou que as tarifas propostas são “bastante diferenciadas”, indicando que certas categorias, como carne bovina, café, metais e energia, estão excluídas das novas tarifas. No entanto, ele também mencionou que as investigações revelaram “práticas desleais” no comércio brasileiro, o que tem sido um ponto crítico nas discussões entre os dois países.
De acordo com dados do MDIC, estima-se que as tarifas afetem cerca de 21% das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Alckmin reafirmou o compromisso do governo de Lula em trabalhar para que essas tarifas não se tornem uma barreira irreversível ao comércio.
Além das questões econômicas, o governo brasileiro manifestou preocupação com o contexto político que cercou a investigação do USTR. Em nota oficial, foi alegado que a origem das investigações está ligada a uma articulação política em torno da família Bolsonaro, e que interesses eleitorais estariam sabotando esforços de diálogo diplomático. O governo criticou ainda a inclusão do sistema de pagamentos instantâneos Pix como alvo das ações americanas, considerando essa referência uma distorção dos interesses brasileiros.
Com a expectativa de um desdobramento importante nas discussões em Paris, os próximos dias serão cruciais para determinar o rumo das relações comerciais Brasil-EUA e suas implicações econômicas.
