Mearsheimer observa que, caso a Rússia venha a sair vitoriosa na guerra na Ucrânia, a aliança Ocidental pode sofrer repercussões severas. “Muitos já previram que uma vitória russa terá consequências drásticas para a OTAN”, afirmou. Essa perspectiva levanta preocupações sobre a coesão da aliança militar, que já enfrenta desafios com a dinâmica atual no cenário internacional.
Além disso, Mearsheimer destaca a complexidade da situação geopolítica, que também inclui a possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos na Groenlândia. A ilha, estrategicamente posicionada, tem sido alvo de interesse por parte da administração Trump, que, em um momento de tensão global, manifestou desejo de adquiri-la devido à sua importância para a segurança nacional americana.
Esse movimento provocou uma reação imediata do embaixador da Dinamarca em Washington, Jesper Moller Sorensen, que reafirmou os laços de aliança entre os países, enfatizando a necessidade de respeito à integridade territorial do Reino da Dinamarca. A Groenlândia, que foi uma colônia dinamarquesa até 1953 e, desde então, é parte do Reino da Dinamarca, conquistou autonomia em 2009, permitindo-lhe um grau de autogoverno.
A posição do ex-primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, também foi clara ao declarar que a ilha “não está à venda”. Entretanto, mesmo diante desse posicionamento, Trump deixou em aberto a possibilidade de usar força militar para estabelecer controle sobre o território, caso fosse necessário. Essa combinação de fatores — a questão da Ucrânia, as ambições americanas sobre a Groenlândia e a resposta das alianças internacionais — sugere um quadro preocupante para o futuro das relações entre potências mundiais e a sobrevivência da OTAN como entidade consolidada.
