A resposta de Petro não tardou. Em um movimento de retaliação, o colombiano acusou Noboa de se aliar à antiga liderança conservadora de Álvaro Uribe com o intuito de minar as eleições presidenciais na Colômbia. Além disso, Petro destacou que as armas do narcotráfico entram em sua nação a partir da fronteira equatoriana, anunciando medidas para reforçar a segurança na região.
Esse episódio representa mais um capítulo de uma crise diplomática que se intensificou desde março, após um ataque aéreo no território colombiano que resultou em 27 mortes. Petro insinuou que o Equador estava por trás da operação, enquanto Noboa se defendeu, negando qualquer incursão.
Históricamente, Equador e Colômbia compartilham laços estreitos, tendo sido parte da Grã-Colômbia, mas as tensões atuais ecoam períodos passados de conflito, especialmente quando Álvaro Uribe governava a Colômbia e Rafael Correa liderava o Equador. Agora, a situação é considerada “inversa”, com Noboa assumindo uma postura mais alinhada aos interesses dos Estados Unidos, apesar do descrédito popular em relação à presença norte-americana na região.
Hugo Albuquerque, um analista geopolítico, observa que Noboa parece agir com uma clara orientação alinhada aos EUA, enquanto Ricardo Leães, especialista em relações internacionais, vê a atual crise como parte de uma estratégia americana mais ampla para consolidar sua influência na América Latina. A nova Estratégia Nacional de Segurança dos EUA enfatiza a importância de se articular com governos conservadores e de combater a presença de potências rivais, como China e Rússia.
A escalada das tensões é ainda mais complexa devido às iminentes eleições colombianas, e a retórica de Noboa sugere uma tentativa de estabelecer um contraste com Petro, apresentando a narrativa de que a extrema direita combate o narcotráfico, enquanto a esquerda seria cúmplice. Nesse contexto, Noboa se coloca como um “bom soldado” dos interesses de Washington, o que levanta questões sobre a possibilidade de mediação por parte de outros países latino-americanos, como o Brasil.





