Fontes informadas relatam que a revogação do visto de Ribeiro Viotti se deu em um contexto em que os Estados Unidos condicionaram a normalização de sua permanência à aprovação do novo embaixador americano, Daniel Perez, pelo Itamaraty. Embora Perez tenha recebido o sinal verde de uma comissão do Senado, sua nomeação ainda aguarda ratificação pelo plenário, o que intensifica a pressão sobre Brasília. Curiosamente, Washington não consultou previamente o governo brasileiro sobre essa indicação, uma prática que é considerada padrão em relações internacionais, especialmente entre países aliados.
Desde a saída da embaixadora Elizabeth Bagley, em janeiro de 2025, o cargo de embaixador em Brasília tem permanecido vago, com a função sendo desempenhada por Gabriel Escobar, encarregado de negócios. Isso expõe um vácuo na representação diplomática dos EUA no Brasil, que não é vista como positiva em relação ao fortalecimento das relações bilaterais.
Um embaixador brasileiro que preferiu se manter anônimo afirmou que as tensões entre os dois países estão em um ponto crítico. Segundo ele, “a escalada em curso, na qual um episódio negativo se encadeia ao outro, revela um ambiente político tempestuoso, especialmente devido à proximidade das eleições, onde o nacionalismo está em alta”. Essa perspectiva de desconfiança mútua se intensifica com a recente recusa do Itamaraty em conceder vistos a diplomatas do Departamento de Estado, complicando a comunicação entre as partes.
O governo americano, por sua vez, se defende afirmando que a missão tinha como objetivo tratar de assuntos como integridade eleitoral e liberdade de expressão, e nega qualquer intenção de interferir nas eleições brasileiras. Essa retórica, no entanto, parece insuficiente para acalmar as tensões já evidentes na diplomacia entre os dois países, que se veem em um momento de incerteza e desafios complexos.
