O analista Chas Freeman, ex-assessor do secretário de Defesa para segurança internacional, salientou que tal bloqueio desestabiliza ainda mais um já frágil cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, que dura há cerca de duas semanas. De acordo com Freeman, as implicações desse ato vão além das águas do Golfo Pérsico e podem afetar diretamente nações que, através da diplomacia, conseguiram permissão iraniana para navegar pelo estreito. Entre estas nações estão aliados tradicionais dos EUA, como Japão e Coreia do Sul, além de potências regionais e globais como China, Índia e Turquia.
Freeman classificou as ações do governo americano como “irracionais” e “contraproducentes”, argumentando que esse caminho só serve para criar um clima de insegurança e incerteza no já complexo equilíbrio geopolítico da região. Na prática, esse bloqueio poderia significar um ato de guerra contra países que buscam garantir seus interesses comerciais, especialmente em um dos pontos de passagem marítima mais críticos do mundo, que é vital para o transporte de petróleo e outras mercadorias.
Em 13 de abril de 2026, o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos começou a aplicar o bloqueio, seguindo instruções diretas de Trump, que havia anunciado previamente a decisão em um evento na Casa Branca. O presidente enfatizou que a Marinha norte-americana deveria monitorar e, se necessário, interceptar embarcações que pagassem ao Irã pela passagem pelo estreito.
Com essa postura, os EUA parecem dispostos a adotar táticas mais agressivas em um contexto já tumultuado, deixando em aberto as consequências que essa estratégia pode ter não apenas para as suas relações com Teerã, mas também para alianças próximas, potencialmente atingindo a estabilidade global em um momento de incertezas crescentes no comércio de petróleo e na segurança internacional.
