Durante a minha estadia, minha irmã Rosita me convidou para visitar o acampamento das Bandeirantes, onde ela era a chefe. Fui ao Pontal da Barra e me deparei com jovens se divertindo em brincadeiras de escotismo, e foi lá que conheci Vânia, uma lourinha que me encantou desde o primeiro instante. Nos conhecemos, nos apaixonamos e, em questão de meses, iniciamos um namoro que logo se transformou em noivado.
No dia 9 de janeiro de 1970, exatamente 54 anos atrás, celebramos o casamento, após uma despedida de solteiro memorável no Bar do Miltinho, localizado na Praça 13 de Maio. Mesmo com a celebração, para mim era difícil aceitar que a agradável e arborizada praça havia sido destruída para dar lugar ao SESC.
A cerimônia de casamento foi muito emotiva, com uma bela missa na Catedral e a Banda de Música do 20º Batalhão de Caçadores tocando músicas que marcaram a época. O casamento foi celebrado pelo padre Salomão, e após a cerimônia saímos da igreja sob os sabres cruzados dos meus colegas oficiais do Exército.
Ao longo desses 54 anos, enfrentamos muitos desafios e construímos uma bela família, com três filhos e quatro netos. Vânia tem sido uma contribuinte valiosa para a sociedade atuando como Promotora, Advogada e Professora, enquanto eu deixo o meu legado nos livros e na cidadania. E, ao longo desse tempo, aprendemos que, mesmo diante das adversidades, é importante seguir em frente, navegando rumo ao nosso objetivo.
A nossa casa de praia, na Barra de São Miguel, é onde encontramos paz e tranquilidade, e nela está gravado um verso do poeta Lêdo Ivo, que diz: “Na Barra de São Miguel, diante do mar, só agora compreendi, o dia mais longo de um homem dura menos que um relâmpago.” Esses 54 anos foram como um relâmpago para nós, e o que resta é o carinho, a veneração e a felicidade de estarmos juntos, antes do último clarão do relâmpago.





