Tenente-coronel preso por feminicídio pede aposentadoria após ter salário suspenso e enfrenta risco de demissão da Polícia Militar.

O tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Rosa Leite Neto, de 53 anos, comunicou sua solicitação para ser transferido para a reserva após um longo período de serviço. A solicitação ocorre em um contexto complexo, visto que o oficial está preso sob a acusação de feminicídio, relacionada à morte de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. O advogado de Leite Neto, Eugênio Malavasi, afirmou que a decisão de aposentadoria foi um ato pessoal e que o oficial cumpriu com excelência seu dever ao longo de 30 anos na corporação.

Em 2016, Geraldo já havia adquirido o direito de se retirar para a reserva, mas sua decisão recente para formalizar esse pedido está cercada de controvérsias. A solicitação ocorre logo após a suspensão de seu salário, sentida a partir de 18 de março, data em que foi detido e levado ao Presídio Romão Gomes, localizado na zona norte de São Paulo. De acordo com os dados divulgados pelo Portal da Transparência, em fevereiro, ele recebeu um rendimento bruto de R$ 28.946,81, refletindo sua posição dentro da Polícia Militar.

A transferência para a reserva foi oficializada em publicação no Diário Oficial no dia 2 de abril. Agora, em sua nova condição, Leite Neto deverá receber uma porcentagem significativa de sua remuneração anterior, de acordo com as normas previdenciárias brasileiras. Contudo, a Secretaria da Segurança Pública deixou claro que, apesar da aposentadoria, ele pode ser demitido da corporação e perder sua patente. Cada ato de infração cometido ainda será alvo de responsabilização penal e disciplinar.

O tenente-coronel enfrenta um Conselho de Justificação e um inquérito no Tribunal de Justiça Militar. Tal processo foi instaurado para avaliar se oficiais da ativa podem continuar em seus cargos diante das acusações que pesam sobre eles. O caso ganhou notoriedade quando a morte de Gisele Alves Santana, inicialmente considerada um suicídio, foi reclassificada como suspeita após investigações que revelaram contradições na narrativa de Geraldo. A análise dos laudos periciais indicou que a dinâmica do disparo não condizia com a hipótese de suicídio.

Desde a prisão, aspectos preocupantes da relação entre Leite Neto e Gisele foram expostos. Investigadores alegam que o oficial usava sua posição hierárquica e salário superior para intimidar a esposa, criando um ambiente de violência emocional. A trajetória deste caso, que começa como uma tragédia familiar, destaca questões mais amplas acerca da violência de gênero e os mecanismos de controle dentro das forças armadas, trazendo à tona debates sobre responsabilidade e justiça em casos de feminicídio.

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