Tenente-coronel da PM é transferido para a reserva enquanto enfrenta acusação de feminicídio da esposa, análise do caso prossegue na Justiça.

Na última quinta-feira, 2 de novembro, a Polícia Militar de São Paulo anunciou a transferência para a reserva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, um oficial que se encontra sob investigação judicial pela morte de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana. Com uma carreira marcada por controvérsias, Geraldo solicitou aposentadoria com base em critérios proporcionais por idade, o que assegura a ele vencimentos integrais. Antes de sua prisão, o oficial recebia um salário bruto que ultrapassava os R$ 28 mil mensais; após os ajustes legais, este valor deve ser reduzido para cerca de R$ 20 mil.

Apesar de sua passagem para a reserva, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que está em andamento um conselho de justificação que pode culminar na perda do posto e da patente do oficial. Além disso, um inquérito policial militar, que investiga as circunstâncias da morte de Gisele, está em fase final e será encaminhado ao Judiciário para as devidas providências.

Geraldo encontra-se preso preventivamente desde março, resultado de uma decisão judicial decorrente de investigações conduzidas pela Corregedoria da Polícia Militar. O Ministério Público o denunciou oficialmente por feminicídio e fraude processual. O caso começou a ganhar notoriedade após a descoberta do corpo de Gisele, de 32 anos, encontrado em um apartamento na região do Brás, em São Paulo, em fevereiro. Inicialmente, o óbito foi considerado um suicídio, mas a investigação logo tomou um novo rumo após a análise de laudos periciais, depoimentos de testemunhas e a coleta de provas digitais.

Os indícios apontam para uma possível manipulação da cena do crime, além de contradições no depoimento do tenente-coronel. Testemunhas relataram também sinais de violência anteriores à morte de Gisele. O exame necroscópico realizado indicou que o disparo que causou a morte da policial foi efetuado com a arma encostada em sua cabeça, uma trajetória que se mostrou incompatível com a possibilidade de um tiro autoinfligido. Este trágico episódio coloca em xeque não apenas a figura do tenente-coronel, mas também reflexões sobre a cultura de violência e misoginia no âmbito das forças de segurança.

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