Márcia, que estava em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) realizando um exame, recebeu a notícia alarmante de seu filho, que ligou para informar sobre o ocorrido. A angústia foi palpável: “Foi um desespero, uma situação desesperadora. O telhado foi parar cinco casas depois da minha”, conta a mulher, visivelmente abalada. Neste momento de fragilidade, a estrutura leve do telhado, feito de PVC com aparência de cerâmica, acabou se tornando um dos fatores que contribuíram para seus danos. Além do telhado, a tempestade também comprometeu a fiação elétrica e a estrutura de caibros, resultando em alagamentos na casa, que chegou a acumular água até a altura do joelho.
Com a residência inundada, a família não teve outra opção a não ser improvisar. Márcia utilizou placas de isopor sobre uma cômoda para proteger roupas e colocou um saco sobre a máquina de lavar. A casa, marcada pelo alagamento, estava repleta de objetos espalhados pela lama, e a falta de eletricidade tornava a situação ainda mais desesperadora. Com nenhum lugar seguro para ficar, a família se viu acolhida por um vizinho, que se tornou um verdadeiro “anjo da guarda” em um momento tão crítico.
A tragédia não se restringiu apenas ao incidente recente. A família de Márcia já estava lidando com o luto pela perda do seu marido, motorista de aplicativo, que faleceu há um mês em um acidente trágico enquanto dirigia. O desamparo foi intensificado pela falta de suporte da empresa onde ele trabalhava, que não ofereceu ajuda após sua morte, apesar de alegações sobre seguro de vida. Márcia lamenta: “Demos entrada e bloquearam a conta dele. Agora estamos à mercê do INSS, torcendo para conseguir uma pensão”, expressa, evidenciando a luta diária que ela e seus familiares enfrentam.
Para complicar ainda mais a situação, de acordo com o Centro de Operações e Resiliência (COR) da Prefeitura do Rio, a tempestade causou pelo menos 31 quedas de árvore nas várias zonas da cidade, com alguns danos à fiação elétrica. Para esta sexta-feira, a previsão é para mais chuvas, com possibilidade de novas tempestades, aumentando a preocupação da população e especialmente de Márcia, que anseia por um pouco de tranquilidade para reconstruir sua vida, que estava se refazendo após um luto tão recente. “É pouco, mas é tudo que eu tenho”, conclui, ressaltando a união e a esperança presentes em seu discurso durante um período de intensa tribulação.
