Teerã Foca em Proposta Bilionária para Avançar nas Negociações Nucleares com os EUA
Teerã está buscando transformar as conversas sobre seu programa nuclear em uma proposta que não apenas trate de questões de segurança, mas que também ofereça oportunidades econômicas substanciais para as empresas dos Estados Unidos. Essa estratégia é vista como uma tentativa de Teerã de “destravar” as negociações, visando um acordo que beneficie ambos os países.
De acordo com analistas, a abordagem iraniana propõe um pacto que aproveite as vastas reservas de petróleo e gás do Irã, além de outros recursos minerais estratégicos, como zinco, cobre e lítio. O país, que possui a segunda maior reserva de gás natural e a quarta maior de petróleo do mundo, acredita que ao oferecer condições favoráveis às empresas norte-americanas, poderá atrair investimentos crucial para sua economia, que enfrenta uma crise severa marcada por alta inflação e desvalorização monetária.
Funcionários da administração iraniana afirmam que a sustentabilidade de qualquer acordo nuclear depende de benefícios concretos para Washington. Essa perspectiva parece alinhar-se com o estilo de negociação do atual presidente dos EUA, Donald Trump, que tem um histórico de buscar acordos vantajosos para sua administração. No entanto, a desconfiança mútua e a oposição política em ambos os lados dificultam a possibilidade de sucesso nas conversas.
Em declarações recentes, o vice-presidente J.D. Vance reconheceu algum progresso nas negociações, mas destacou que questões fundamentais não foram ainda aceitas pelo Irã, o que poderia comprometer qualquer avanço substancial. Além disso, tanto os EUA quanto o lobby israelense, influente no Congresso, podem se opor a qualquer acordo que envolva um alívio significativo das sanções em troca de garantias nucleares.
Teerã considera um acordo com Washington indispensável para evitar novas ondas de protestos internos e para estabilizar sua economia. A inclusão de empresas norte-americanas no setor energético poderia marcar uma mudança importante em uma política tradicionalmente voltada para evitar a “infiltração cultural” do Ocidente.
Contudo, especialistas alertam que obstáculos significativos ainda existem. A pouca confiança entre os governos e a resistência de figuras-chave do governo Trump dificultam a rápida integração de empresas norte-americanas no mercado iraniano. Isso leva a crer que, apesar das tentativas de promoção de um ambiente mais colaborativo, o caminho para um consenso duradouro ainda está repleto de desafios.







