Pompéia: Inscrições de 2.000 Anos Revelam Vida Cotidiana na Antiga Roma
Recentemente, investigadores descobriram letras e ilustrações de aproximadamente 2.000 anos em Pompéia, uma das cidades mais emblemáticas do Império Romano. Através de sofisticadas tecnologias de visualização 3D e fotografia digital, foi possível acessar um rico acervo cultural que estava até então oculto nas paredes do corredor que conecta o Grande Teatro ao teatro coberto da cidade.
As escavações, que começaram no final do século XVIII, inicialmente não revelaram muitos detalhes, uma vez que as inscrições estavam desgastadas e rasas. No entanto, com a implementação do método de Imagem de Transformação por Refletância (RTI), combinado com técnicas de fotogrametria e análise epigráfica, os cientistas conseguiram recuperar cerca de 300 grafites. Entre estes, estão pelo menos 79 inscrições até então desconhecidas.
Liderada por uma equipe de acadêmicos da Universidade de Sorbonne e da Universidade de Québec em Montréal, a pesquisa concedeu aos arqueólogos uma nova visão sobre a dinâmica social, emocional e cultural dos cidadãos romanos. A aplicação da tecnologia RTI permitiu fotografar a superfície das paredes sob diferentes ângulos de luz, revelando até os traços mais sutis. Um dos grafites mais impressionantes apresenta dois gladiadores em combate, medindo aproximadamente 10 centímetros de altura. O autor provavelmente o desenhou de memória, o que oferece um vislumbre único sobre como os romanos vivenciavam e interpretavam esses combates.
Entre as descobertas, um fragmento de uma declaração amorosa foi especialmente notável. A frase, “Erato amat…”, que significa “Erato ama…”, é um indicativo de que os sentimentos e as relações pessoais também eram expressos nas paredes de Pompéia. Os arqueólogos afirmam que esses registros não devem ser descartados como meros atos de vandalismo; pelo contrário, eles trazem à luz aspectos significativos da vida diária dos romanos, como seu nível de alfabetização e as maneiras de expressar emoções.
Essas revelações não apenas enriquecem nosso entendimento da história romana, mas também incentivam uma reavaliação do que consideramos arte e texto em um contexto arqueológico. Em última análise, a tecnologia moderna não apenas desenterra relíquias do passado, mas também nos ajuda a montar um mosaico mais completo da história humana, conectando-nos com aqueles que viveram e amaram há milênios.






