Atualmente, o salário máximo do funcionalismo público corresponde ao vencimento de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que é de R$ 46.366,19. Contudo, muitos servidores, especialmente aqueles em posições de chefia e direção, auferem salários superiores devido a essas benesses adicionais. Assim, as novas regulamentações propostas visam ajustar essas discrepâncias salariais.
Estimado em R$ 27,7 bilhões a partir de 2027, o impacto fiscal da proposta é substancial. A gratificação mais elevada para cargos de confiança do TCU deverá ser elevada de R$ 8.987 para R$ 12.133. Este nível específico, chamado FC-8, é ocupado por apenas três servidores com importantes responsabilidades gerenciais. Por sua vez, a menor gratificação, referente ao nível FC-1, passará de R$ 1.554 para R$ 2.176, com 106 servidores atualmente nessa posição.
No total, a Corte conta com 913 servidores em cargos de confiança, sendo que a maioria se encontra no nível FC-3, com 313 ocupantes. Para esse grupo, a gratificação subirá de R$ 3.930 para R$ 5.503,18, um aumento considerável que reflete a responsabilidade que esses profissionais assumem.
Vital do Rêgo, presidente do TCU, justifica a proposta ao afirmar que os valores atuais das gratificações estão defasados em comparação aos pagos a servidores de confiança em outras esferas do governo. O tribunal argumenta que essa defasagem se intensificou após um veto parcial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a um projeto anterior que visava aumentar as gratificações no Legislativo.
Além disso, o custo estimado abarca ajustes indiretos relacionados à licença-capacitação, baseados nas remunerações das funções de confiança. A proposição, ao expandir as gratificações e permitir o pagamento de valores acima do teto, pode beneficiar até 25,7 mil servidores, com um custo adicional aproximado de R$ 211 milhões anuais, representando 0,09% da folha de pagamentos dos servidores ativos da União.
Essa movimentação do TCU, juntamente com a recente liberação de pagamentos que desafiam os limites do teto salarial, suscita debates sobre as prioridades fiscais e os equívocos em torno do uso de recursos públicos, em um cenário onde a responsabilidade fiscal é cada vez mais essencial.
