Taxa de Turismo em Angra dos Reis Gera Protestos e Cancelamentos, Ameaçando Indústria Local

A implementação da taxa de turismo pela prefeitura de Angra dos Reis, destinada aos visitantes que chegam à cidade, teve início na última segunda-feira. Desde então, a medida gerou uma série de reações adversas entre moradores, comerciantes e profissionais do setor turístico, que temem que a cobrança desestimule a visitação ao local. O quinto dia de protestos culminou na manhã desta sexta-feira com uma barqueata na Vila do Abraão, na Ilha Grande, buscando visibilidade para a indignação da população.

A guia de turismo Daniele Lopes, atuando na área há anos, comentou que os efeitos da taxa já eram visíveis desde seu anúncio no ano passado. Ela observa que, após a criação da cobrança, as reservas começaram a ser canceladas em grande número, resultando em um verão com fluxo de turistas significativamente reduzido. Em relatos semelhantes, Rodrigo Almeida, um guia de turismo conhecido como Rodrigo dos Cachorros, enfatizou que visitantes chegaram a se manifestar negativamente sobre a taxa durante suas chegadas à Ilha Grande. Ele recordou a palavra “pesado” usada por um pai de família estrangeiro ao descrever a nova tarifa e seus impactos.

O primeiro dia de vigência da taxa foi marcado por tumultos. Totens destinados à cobrança foram incendiados durante a madrugada, e barcos foram posicionados na entrada do cais para bloquear a entrada de flexboats. Durante essa confusão, um adolescente foi detido por incitar os protestos contra a polícia, sendo liberado após a chegada dos responsáveis à delegacia.

Perante a crescente insatisfação, a prefeitura conseguiu uma liminar na 2ª Vara Cível, que garantiu o desbloqueio dos acessos ao cais da Vila do Abraão, com multas previstas para aqueles que desobedecerem à ordem judicial. Em resposta às manifestações, a Polícia Militar enviou um helicóptero para auxiliar na liberação do local, enquanto o 33º Batalhão segue atuando para assegurar o “livre acesso” aos pontos de embarque e desembarque.

Em coletiva de imprensa realizada na quarta-feira, Ulisses Costa, superintendente da Fundação de Turismo de Angra dos Reis (TurisAngra), defendeu a taxa como uma forma de assegurar que o fluxo de turistas beneficie a infraestrutura da cidade. Ele mencionou a importância da preservação do patrimônio local, destacando que a Ilha Grande recebe anualmente cerca de 1,2 milhão de turistas e que o objetivo é garantir que Angra dos Reis se mantenha um destino atrativo, estruturado e sustentável.

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