Esse cenário estressante também repercute no comportamento de consumo. De acordo com uma análise da Top One Financeira, houve um aumento de 11,6% nas operações via crediário nos primeiros cinco meses de 2026 em comparação ao ano anterior. O valor médio das transações realizadas foi de R$ 1.543, sugerindo que os consumidores buscam alternativas mais seguras para a aquisição de produtos, preferindo evitar os riscos associados ao cartão de crédito.
O funcionamento do rotativo do cartão de crédito é crucial para entender a gravidade da situação. Quando os consumidores não conseguem quitar a fatura em dia e optam pelo pagamento mínimo, o saldo restante é automaticamente financiado a taxas exorbitantes, que podem multiplicar a dívida em um curto espaço de tempo. Este ciclo vicioso de endividamento provoca um desgaste emocional e financeiro significativo nas famílias.
Diferentemente do cartão de crédito, o crediário oferece uma alternativa mais previsível e menos arriscada. As taxas de juros são fixadas no momento da compra, tornando as parcelas constantes ao longo do contrato, o que afasta o consumidor da volatilidade do rotativo. Profissionais do setor, como Vanderley Cardoso de Moraes, CEO da Top One Financeira, destacam que o cartão se transforma em uma armadilha para aqueles que não conseguem saldar suas faturas. Ele enfatiza a necessidade de uma mudança no comportamento de compra, sugerindo que o parcelamento via boleto emerge como uma estratégia mais prudente.
Esses dados e análises não apenas refletem a atual situação financeira das famílias, mas também indicam uma mudança significativa na forma como os brasileiros estão se relacionando com o crédito. À medida que as pessoas buscam segurança e previsibilidade em suas compras, a previsão é que o crediário se consolide como a nova porta de entrada para o financiamento no varejo físico, permitindo aos consumidores um controle maior sobre suas finanças e uma redução do risco de endividamento excessivo.
