Um dos principais fatores impulsionadores desse aumento é o cartão de crédito rotativo, cuja taxa média disparou 11,4 pontos percentuais, atingindo alarmantes 435,9% ao ano. Essa modalidade, conhecida por seus juros exorbitantes, tem se tornado uma armadilha financeira para muitos consumidores, especialmente em um contexto de limitação na cobrança dos juros rotativos que entrou em vigor em janeiro de 2024. Embora essa medida tenha a intenção de mitigar o endividamento, ela não afeta as taxas previamente acordadas no momento da contratação do crédito.
Nos últimos 12 meses, o crédito rotativo impôs um acréscimo de 16,7 pontos percentuais nos encargos para os consumidores. Essa situação se agrava quando se considera que, ao pagar menos que o total devido na fatura do cartão, o usuário automaticamente contrai um empréstimo, resultando em juros sobre o saldo devedor. Após o período de 30 dias, os bancos costumam parcelar essa dívida, o que também resulta em um aumento de 5,3 pontos percentuais na modalidade de cartão parcelado, somando 200,2% ao ano.
Por outro lado, o cenário do crédito empresarial apresenta uma leve diminuição nas taxas, com uma queda de 0,1 ponto percentual em fevereiro, mas uma elevação de 1,1 ponto percentual em 12 meses, atingindo 24,9%. Notavelmente, as operações de capital de giro para empresas com prazos de até 365 dias viram uma redução significativa de 3,1 pontos percentuais, estabilizando-se em 22,5% ao ano. Isso reflete uma situação ambígua no mercado de crédito, onde, apesar de algumas quedas, a pressão sobre as modalidades mais onerosas persiste.
Em meio a esse cenário, a taxa média de juros combinada para famílias e empresas saltou 0,3 ponto percentual em um mês, chegando a 33% ao ano. Essa alta está diretamente relacionada à recente ciclos de elevação na taxa Selic, que se encontra em 14,75% ao ano, uma estratégia do Banco Central para controlar a inflação. As oscilações inesperadas dos juros bancários, no entanto, continuam a impactar a capacidade de endividamento das famílias, que enfrentam taxas de inadimplência em elevação, marcando 4,3% em fevereiro.
Diante desse panorama, a combinação de elevadas taxas de juros e o aumento no endividamento familiar revelam os desafios que os brasileiros enfrentam em sua busca por um equilíbrio financeiro, exigindo atenção tanto por parte das instituições financeiras quanto dos órgãos reguladores.
