Os cartões de crédito rotativos são utilizados quando os consumidores não conseguem pagar o valor total da fatura, caindo automaticamente numa linha de crédito com juros exorbitantes. Essa prática não apenas encarece o crédito, mas também eleva o risco de inadimplência, pois muitos consumidores podem encontrar dificuldades para honrar suas obrigações financeiras. Com o cenário de juros altos, o sistema financeiro já apresenta 4,3% de operações com atraso, índice que atinge 5,2% entre as famílias.
A situação não se limita apenas ao encarecimento do crédito. O volume total de crédito no Brasil cresceu em um ritmo mais lento. O saldo das operações chegou a R$ 7,1 trilhões, com um aumento de apenas 0,4% em fevereiro e 9,6% em doze meses. Esse crescimento ainda é puxado principalmente pelas famílias, onde o crédito para pessoas físicas teve uma alta de 0,6% no mês e 11,2% no acumulado anual. Isso indica que, mesmo diante do aumento dos custos, os consumidores continuam a buscar empréstimos para sustentar seu nível de consumo.
O endividamento das famílias continua elevado, atingindo 49,7% da renda anual, enquanto o comprometimento mensal com dívidas chegou a 29,3%. Em termos práticos, isso significa que, a cada R$ 100 recebidos mensalmente, cerca de R$ 29 estão destinados ao pagamento de empréstimos e financiamentos.
Apesar desse cenário desafiador, os bancos liberaram R$ 602,3 bilhões em novos empréstimos em fevereiro, embora tenha havido uma queda nas concessões em relação ao mês anterior, já descontando o ajuste sazonal. Isso sugere uma possível desaceleração na demanda por crédito, sinalizando um clima de cautela no setor e reflexos diretos na vida financeira dos brasileiros. Com o volume total de crédito, incluindo outras formas de financiamento, atingindo R$ 21 trilhões — o equivalente a 163,7% do PIB —, o desafio da gestão das finanças pessoais se torna cada vez mais premente.





