De acordo com dados recentes, as importações equatorianas da Colômbia somam cerca de US$ 1,993 bilhão anualmente, o que representa aproximadamente R$ 10 bilhões. Desses, 60% são constituídos por matérias-primas, máquinas e insumos que são fundamentais para a indústria local. Com o aumento das tarifas, as empresas equatorianas enfrentarão um encarecimento desses produtos essenciais, o que poderá resultar em uma elevação dos custos de produção. O efeito colateral disso é a diminuição da competitividade das indústrias do Equador no mercado interno, já pressionado por outros fatores econômicos.
Por outro lado, as exportações equatorianas para a Colômbia, que totalizam cerca de US$ 950 milhões por ano (cerca de R$ 4,96 bilhões), também estarão ameaçadas. Produtos como atum, pescado e madeira poderão perder espaço no mercado colombiano devido ao aumento de preços gerado pelas novas tarifas. Essa situação pode não só prejudicar a rentabilidade das empresas equatorianas, mas também afetar o nível de empregos formais no país, ampliando a incerteza econômica nas regiões envolvidas.
A Câmara de Comércio Binacional, conhecida como Camecol, expressou preocupações sobre a adoção dessas tarifas. Além dos impactos diretos nas indústrias, essa nova política pode incentivar o contrabando e o comércio informal nas áreas de fronteira, onde a diferença de preços certamente se tornará um fator decisivo para o comportamento comercial. Essa situação levanta questões sobre a governança e a eficácia das políticas comerciais adotadas, além de refletir tensões regionais que podem se acirrar com a implementação de tarifas que visam proteger as economias locais, mas que também podem ter consequências indesejadas.
Com este cenário, a situação entre Equador e Colômbia exemplifica a complexidade das relações comerciais na América Latina e suscita debates sobre as melhores práticas a serem adotadas para equilibrar interesses econômicos em um contexto de pós-pandemia.






