Esses segmentos se veem à parte das propostas de diálogo que o governo americano apresentou, o que os coloca em uma posição de vulnerabilidade. Os representantes setoriais projetam uma perda acentuada de competitividade, com impactos diretos nas exportações e na capacidade de investimento. A necessidade de uma solução negociada é defendida veementemente, na tentativa de amenizar as tensões comerciais entre os dois países.
O setor de vestuário e calçados, por exemplo, terá as tarifas implementadas em breve. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) se manifestou, denunciando que esse tipo de medida eleva a insegurança no comércio internacional, restringe a competitividade e prejudica investimentos, produção e geração de empregos. A entidade ressalta a importância de o Brasil continuar a desenvolver sua base industrial e a diversificar suas exportações.
No âmbito calçadista, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) previu uma queda de 7,1% nas exportações para os EUA até o final do ano, destacando que a tarifa prejudica não só os exportadores brasileiros, mas também os consumidores e comerciantes norte-americanos. A interdependência entre os dois mercados agrava a questão, pois operações que estavam se recuperando desde o fim de uma tarifa anterior de 40% em fevereiro deste ano estão ameaçadas.
Fabricantes de máquinas e equipamentos, representados pela Abimaq, também manifestaram preocupação. Com os EUA como o principal destino para suas exportações, que totalizaram US$ 3,2 bilhões no último ano, o setor teme que o aumento das tarifas leve a um aumento de custos e comprometa a eficiência das cadeias produtivas bilaterais.
A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) destacou que, apesar de o governo dos EUA ter preservado algumas exportações-chave, ainda há preocupações em relação à imposição da tarifa sobre produtos competitivos, como a celulose e painéis de madeira. A Ibá enfatizou que, no primeiro semestre deste ano, as exportações deste setor já apresentavam uma queda significativa.
Por sua vez, o setor sucroenergético também não ficou imune às críticas. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) lamentou a imposição da tarifa ao etanol brasileiro, defendendo que a política nacional atende às normas da Organização Mundial do Comércio e que não há obrigação bilateral que favoreça o etanol americano.
Diante desse cenário, as entidades pedem um avanço nas negociações, pautadas pelo diálogo respeitoso e pela busca de soluções que minimizem os impactos negativos das tarifas. O desafio é, portanto, resguardar os interesses da economia brasileira enredada em um contexto econômico global cada vez mais complexo.
