De acordo com a pesquisa, crianças expostas ao tabagismo materno apresentaram um risco 49% maior de ter um desempenho acadêmico abaixo da média em comparação com aquelas que não foram expostas ao tabaco enquanto ainda estavam na barriga da mãe. Os efeitos do tabagismo na gestação foram observados em diversos países, como Austrália, Islândia e Estados Unidos, demonstrando uma tendência global preocupante.
O estudo ressaltou que as crianças expostas ao cigarro na gestação apresentaram pontuações significativamente menores em áreas como ortografia, escrita, literatura e matemática. Além disso, apontou que o tabagismo pré-natal tem impactos prejudiciais no desenvolvimento cognitivo e psicomotor das crianças, afetando seu desempenho escolar ao longo do tempo.
O ginecologista e obstetra Rômulo Negrini, coordenador-médico da Obstetrícia do Hospital Israelita Albert Einstein, destacou a importância do estudo, afirmando que os resultados evidenciam de forma incisiva a relação entre tabagismo na gravidez e queda no desempenho escolar. Ele alertou que, apesar dos esforços antitabagismo em todo o mundo, o cigarro ainda é um problema de saúde pública global, afetando cerca de 2% das gestantes.
Os efeitos deletérios do tabagismo na gestação são conhecidos há décadas, com a fumaça do cigarro contendo mais de 7 mil compostos tóxicos que afetam o desenvolvimento fetal. A circulação sanguínea é prejudicada, resultando em restrição de crescimento, prematuridade e até risco de aborto. Negrini ressaltou a importância de conscientizar as mulheres grávidas sobre os danos do tabagismo para a saúde da criança, enfatizando a necessidade de proteger o feto do ambiente tóxico criado pelo hábito de fumar.
