Suspeitas de Desvio: Polícia Investiga Contrato de ONG Ligada a Mário Frias por Suposta Fraude em Programa de Wi-Fi na Periferia de São Paulo

Polêmica no Programa de Wi-Fi Livre de São Paulo Envolve Desvios e Contratos Suspeitos

O Instituto Conhecer Brasil, uma organização não governamental presidida por Karina da Gama, está sob investigação após a contratação de um escritório de advocacia que representa Mário Frias, deputado federal pelo PL-SP, em diversos processos judiciais. A parceria tem como foco a execução de um programa para a manutenção de pontos de Wi-Fi em comunidades da periferia de São Paulo. O programa, no entanto, se tornou alvo da Polícia Civil, que investiga indícios de fraudes e desvios de recursos públicos.

Recentemente, a Polícia Civil realizou uma operação que incluiu buscas e apreensões ligadas a este caso. Segundo informações, o advogado teria recebido R$ 341,9 mil do Instituto Conhecer Brasil, quantia que não tem um detalhamento claro dos serviços prestados, levantando sérias questões sobre a transparência da gestão financeira da ONG.

Karina da Gama, além de liderar o Instituto, é também a proprietária da Go Up Entertainment, produtora envolvida na realização de um filme inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo roteiro foi elaborado por Mário Frias. A Polícia Civil expressou preocupações sobre a possível confusão patrimonial entre a ONG e a produtora, levantando a suspeita de que recursos públicos destinados ao programa Wi-Fi podem ter sido redirecionados para financiar o filme.

A Prefeitura de São Paulo, por sua vez, negou qualquer irregularidade, classificando as alegações como “ilação irresponsável” e sem provas concretas. A administração informou que o contrato com o Instituto Conhecer Brasil, no valor de R$ 108 milhões, foi firmado após um chamamento público para a instalação de 5.000 pontos de internet em comunidades de baixa renda, dos quais 3.200 já foram implementados. A recente adição de R$ 49,1 milhões ao contrato levanta ainda mais questionamentos sobre a aplicação dos recursos.

Em um desdobramento ainda mais complexo, a ONG de Karina também utilizou verbas proveniente de emendas parlamentares de Mário Frias para contratualizar outros serviços, o que inclui a contratação de um dirigente de uma entidade vinculada à própria Karina. Tal ato é considerado irregular pela legislação, dado o conflito de interesses gerado.

As investigações continuam, com a Polícia Civil buscando traçar o fluxo financeiro que envolve a ONG, a Go Up Entertainment e as transações realizadas. Em meio a essa situação nebulosa, a Prefeitura reiterou seu compromisso com a legalidade e disse estar cooperando com as autoridades.

Essas revelações abrem um leque de perguntas sobre a governança de ONGs que operam com recursos públicos e os potenciais conflitos de interesse que podem surgir nessa dinâmica. As repercussões desse caso ainda estão por serem completamente reveladas, mas a situação exige cuidado e um olhar atento sobre os processos que envolvem o uso de verba pública.

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