Especialistas em saúde pública expressam preocupação quanto ao potencial de disseminação do vírus. Embora a possibilidade de que casos importados cheguem a outras nações seja considerada real, a probabilidade de uma propagação significativa local é considerada baixa, devido às características específicas do Nipah. Entre os especialistas consultados, há consenso de que, enquanto a movimentação internacional favorece o transporte do vírus, as condições para uma transmissão local são redutivas.
O virologista Julio Croda, da Fiocruz, enfatiza que a ausência de barreiras durante viagens internacionais torna vital a vigilância de viajantes que tenham estado em regiões afetadas. Ele explica que, embora o período de incubação do vírus possa variar de 4 a 14 dias, um único caso pode gerar uma nova cadeia de transmissão em outras localidades.
De acordo com nota da Organização Mundial da Saúde, o Nipah é transmitido principalmente por morcegos que consomem frutas. A contaminação pode ocorrer tanto pela ingestão de alimentos contaminados quanto por contato direto entre indivíduos. Os sintomas do Nipah podem variar drasticamente, desde doenças respiratórias leves até encefalites fatais, o que acentua a necessidade de monitoramento imediato de qualquer sintoma em pessoas que tenham viajado para áreas afetadas.
Importantes medidas de prevenção incluem a realização de testes diagnósticos eficazes, a supervisão rigorosa da importação de alimentos, especialmente frutas da Índia, e a criação de centros de referência para o atendimento de possíveis casos. Além disso, reforço no uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para os profissionais de saúde é essencial, dado o risco de contaminação em ambientes hospitalares.
Embora o risco de uma epidemia generalizada no Brasil seja considerado baixo, médicos alertam para a importância do preparo diante de possíveis casos, destacando os sintomas iniciais do Nipah que podem ser confundidos com outras doenças. O tratamento atualmente não conta com antivirais específicos, mas requer cuidados intensivos em decorrência das complicações que podem surgir, como problemas respiratórios graves e sequências neurológicas.
Historicamente, o vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de porcos na Malásia, e desde então tem se manifestado em diferentes regiões da Ásia. O reconhecimento da relevância da vigilância e da resposta rápida a surtos desse vírus é imprescindível para garantir a saúde pública a nível global.
